A redução dos níveis de pressão arterial da diretriz americana em questão

InCor propõe seguir as orientações das diretrizes brasileiras, que considera os valores maiores ou iguais a 140/90 mmHg para o diagnóstico e tratamento

14/03/2018 | 08:00

Luiz Bortolotto *

hipertensão arterial
Foto: 6okean / iStock

A publicação das diretrizes americanas de hipertensão arterial em novembro passado gerou amplo debate na sociedade médica, devido às mudanças propostas para o diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial.

Um dos pontos mais polêmicos foi a redução dos níveis de pressão arterial que diagnosticam “a pressão alta”. Até então, os parâmetros para considerar uma pessoa hipertensa eram valores maiores ou iguais a 140/90 mmHg (popularmente conhecidos como 14 por 9), em três medidas, pelo menos, tomadas em ocasiões diferentes.

Estes números eram baseados em resultados de vários estudos com pessoas com valores de pressão maiores ou iguais a 140/90, que apresentavam mais risco de infarto do miocárdio e derrames cerebrais.

A nova classificação sugerida no documento americano considera a hipertensão a partir de valores acima de 130/80 mmHg (13 por 8). Os benefícios do tratamento medicamentoso de pacientes com valores entre 13/8 e 14/9 são demonstrados para aqueles pacientes que tem risco alto de complicações cardiovasculares. Mas, não estão claros para a grande maioria das pessoas com estes valores inferiores.

Reduzir o nível de pressão para considerar um paciente hipertenso pode gerar um impacto muito grande na atenção médica, tanto em nível populacional como individual, ao exigir mais consultas, exames e acompanhamento para um maior número de pessoas, e até medicações desnecessárias. Por isso, diversas sociedades médicas internacionais recomendaram cautela quanto a esta nova classificação, assim como a Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Vale lembrar que na 7ª. Diretriz Brasileira de Hipertensão, publicada no final de 2016, os pacientes com valores entre 13/8 e 14/9 já foram considerados como pré-hipertensos, com indicação para tratamento e adoção de hábitos saudáveis de vida, como a própria diretriz americana recomenda.

Por fim, a meta proposta pelo documento americano para o controle da pressão arterial de pacientes com risco cardiovascular alto, isto é que apresentem vários fatores de risco cardiovasculares, como tabagismo, colesterol elevado, obesidade, doença renal crônica, é a mesma já recomendada na 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, isto é, abaixo de 130/80 mmHg.

É importante reforçar que apenas o médico tem condições de avaliar quando indicar a medicação para o paciente hipertenso e qual o melhor valor de pressão a ser mantido para o seu controle. No InCor, continuaremos a seguir as orientações das diretrizes brasileiras, considerando hipertensos aqueles com valores maiores ou iguais a 140/90 mmHg.

* Diretor da Unidade de Hipertensão

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