Alternativa à videocirurgia convencional

A robótica aumenta a amplitude e a precisão das manobras e dos movimentos intracavitários, além de melhorar a visualização

15/11/2018 | 21:56

*Paulo Manuel Pêgo-Fernandes

Cirurgia torácica
Foto: KentWeakley / iStock

O amplo uso da tecnologia da cirurgia videoassistida, nos últimos 20 anos, foi um fator decisivo para o desenvolvimento e a difusão a que assistimos atualmente da cirurgia minimamente invasiva.

A robótica é produto desta experiência e surge como alternativa à videocirurgia convencional e aumenta a amplitude e a precisão das manobras e dos movimentos intracavitários, além de melhorar, por meio da imagem tridimensional, a visualização.

Nos últimos anos, mais de 1,75 milhões de procedimentos robóticos foram realizados nos Estados Unidos, em várias especialidades cirúrgicas. Essa opção permite a realização de procedimentos invasivos com melhor visualização, maior precisão e destreza, em comparação com a via laparoscópica.

O equipamento consiste em um console de computador onde o cirurgião se senta durante o procedimento cirúrgico e manipula braços robóticos interativos, minúsculas tesouras e alicates, em um sistema de visão 3D de alta definição.

Um dos pontos importantes e vantagens dessa técnica é a possibilidade de treinamento em simuladores. Existem programas que simulam algumas situações cirúrgicas, atribuem notas conforme o desempenho e apresenta os pontos que devem ser melhorados, diminuindo, assim, a curva de aprendizado.

O uso da tecnologia robótica para a cirurgia torácica é um pouco mais recente do que em outras áreas da medicina como, por exemplo, a urologia. Os procedimentos nos quais a cirurgia torácica robótica vem sendo utilizada compreende: ressecções pulmonares, doenças do mediastino anterior e posterior, esofagectomia e reconstrução para patologias esofágicas malignas e benignas.

Em 2015 realizamos a implantação de um programa de cirurgia torácica robótica em uma instituição pública de alta complexidade. Essa iniciativa multidisciplinar envolveu diversas especialidades cirúrgicas, equipes de anestesia, enfermagem e engenharia clínica. Nossa experiência tem sido crescente, com mais de 200 cirurgias.

Realizamos a análise de um subgrupo de pacientes que foram submetidos à lobectomia pulmonar para o tratamento do câncer de pulmão. Foram randomizados pacientes com o mesmo perfil de morbidade e submetidos à videotoracoscopia. Nossos resultados foram bastante animadores. Cerca de 80% dos pacientes receberam alta precoce, não apresentamos nenhuma mortalidade, e o tempo cirúrgico foi compatível com a curva de aprendizagem de outros centros.

Recentemente tivemos a oportunidade de compartilhar nossa experiência no principal congresso da especialidade, o da ESTS – European Society of Thoracic Surgeons, cuja 25ª edição, aconteceu na Eslovênia, em 2018.

A Disciplina de Cirurgia Torácica conquistou pelo segundo ano consecutivo o prêmio de melhor trabalho científico entre todos do evento. O estudo “Brazilian Randomized Controlled Study Comparing Robotic Assisted and Video Assisted Surgery Outcomes in Patients Undergoing Pulmonary Lobectomy (BRAVO Trial)” foi eleito o melhor trabalho da sessão MITIG/VATS (Minimally Invasive Thoracic Interest Group / Video Assisted Thoracic Surgery). Realizado pela parceria dos Institutos do Coração (InCor) e do Câncer (ICesp), ambos do Hospital das Clínicas da FMSUP, o estudo teve as autorias dos doutores Ricardo Terra, José Ribas Milanez de Campos, Letícia Lauricella, Mariana Almeida, Pedro Nabuco Araújo e Paulo Pego-Fernandes.

*Diretor da Divisão de Cirurgia Torácica do InCor

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