Alternativa não farmacológica para a HAS

Programa de orientação multiprofissional sobre dieta e exercícios melhora a qualidade de vida de hipertensos

15/01/2018 | 13:32

Erika Tiemi Ikeda e Maria IgnezZanetti Feltrim*

Caminhada no Parque
Foto: Antranias / Pixabay

A primeira causa de doença cardiovascular e um dos problemas mais importantes de saúde pública, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um fator de risco modificável, que mostra relação direta com o envelhecimento e baixas taxas de controle da pressão arterial. Estudos mostram, porém, que somente 25 a 40% dos pacientes com HAS aderem ao tratamento medicamentoso e esta situação vem se mantendo nos últimos 30 anos. Assim, medidas não farmacológicas, dentre elas a intervenção educacional com foco na redução do consumo de sal, adoção de dietas saudáveis, prática de atividade física (AF), controle do consumo de álcool e cessação do tabagismo tem sido propostas para melhorar o controle e a adesão desta população, sendo recomendação de nível I e evidência A da Diretriz Brasileira de Hipertensão. Mas estudos com população idosa, para avaliar a efetividade desta prática clínica no tratamento da HAS, são muito heterogêneos, o que dificulta a consolidação de evidências.

Nosso estudo teve por objetivo verificar os efeitos da orientação fisioterapêutica, dentro de um programa educacional multiprofissional com foco na qualidade de vida e condicionamento físico de indivíduos idosos hipertensos, pacientes do Ambulatório de Hipertensão do Instituto do Coração (InCor/HC-FMUSP), que apresentavam um ou mais fatores de risco para DCVs, mas não tinham problemas osteomusculares que os impedissem de se locomover até o hospital e realizar as avaliações. Dele participaram dois grupos de pacientes hipertensos: idosos de 60 anos ou mais e adultos de18 até 59 anos. Os dois grupos receberam as mesmas orientações e participaram das mesmas práticas promovidas pela equipe multiprofissional – um programa que consistiu de 12 encontros semanais, com duração de 2 horas por um período de 3 meses no qual foram abordados os fatores de risco de DCVs e mudanças de hábitos de alimentação e de vida.

A equipe de fisioterapia orientou os pacientes sobre a prática de caminhada e propôs o registro em um diário de caminhada do tempo e dos dias de prática. A recomendação para ambos os grupos foi caminhar dez minutos na primeira semana e ir acrescentando mais 10 minutos a cada dois encontros, totalizando ao final dos 12 encontros 60 minutos de caminhada diária. Em todos os encontros os fisioterapeutas verificavam os diários e orientavam os pacientes sobre suas dúvidas ou dificuldades. Durante o sexto encontro os participantes fizeram alongamentos, exercícios aeróbicos e resistidos e receberam um folheto com proposta de exercícios para a prática diária, em casa, além de orientações das enfermeiras sobre risco de queda. No nono encontro, foram orientados por psicóloga sobre técnica de relaxamento e de respiração lenta para o combate ao estresse.

As orientações fisioterapêuticas dentro de um trabalho educacional promovido por uma equipe multiprofissional através de palestras e práticas que abordaram DCVs e mudanças de hábito para um estilo de vida mais saudável refletiu numa melhora da distância percorrida no Teste da Caminhada de 6 Minutos (TC6M). O grupo de idosos hipertensos respondeu a intervenção com o mesmo desempenho que o grupo de adultos hipertensos mostrando que esta pode ser uma alternativa no tratamento da HAS para esta população. A idade mostrou não ser um fator limitante na orientação do estilo de vida saudável.

*Fisioterapeutas da Divisão Multiprofissional em Prevenção e Terapêutica Cardiovascular do InCor

 


Referência Bibliográfica

  1. Ikeda, E T¹, Giachini, F F¹, Feltrim M Z ², Bortolotto L A³, Lopes, H F³. Avaliação do desempenho funcional e da qualidade de vida de idosos hipertensos submetidos a um programa de orientação multiprofissional.

    ¹ Fisioterapeutas residentes do Programa de Residência Multiprofissional em Prevenção e Terapêutica Cardiovascular do InCor-HC/FMUSP, São Paulo, São Paulo, Brasil. ² Serviço de Fisioterapia do InCor-HC/FMUSP, São Paulo, São Paulo, Brasil. ³ Unidade Clínica de Hipertensão do InCor-HC/FMUSP, São Paulo, São Paulo, Brasil.

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