Análise da Associação entre Vegetarianismo e aterosclerose subclínica em população adulta no Estado de São Paulo

08/04/2019 | 18:00

Vários trabalhos prévios demonstraram o efeito protetor da dieta vegetariana na prevalência de DCV (doenças cardiovasculares). Entretanto ainda restam questionamentos sobre a reprodutibilidade desses estudos em grupos populacionais de países em desenvolvimento e de outros que relacionem diretamente dieta neste grupo com o uso de escore de cálcio coronário.

Objetivos: 1) Analisar a relação entre dieta vegetariana e aterosclerose subclínica em uma população etnicamente diversa. 2) Observar a relação entre dieta vegetariana e o escore de cálcio coronário 3) Analisar outros fatores clínicos, laboratoriais, e de imagem na prevalência de aterosclerose subclínica.

Métodos: Participantes foram incluídos consecutivamente entre março de 2013 e agosto de 2016, no Hospital Universitário da USP, adventistas do sétimo dia, entre 35 e 74 anos, residentes no estado de São Paulo. Realizada entrevista clínica, exames laboratoriais, determinação de variáveis nutricionais e exames de imagem e cardiológicos como escore de cálcio coronário, medida da íntima de carótida e bordo hepático e velocidade de onda de pulso. O padrão dietético foi avaliado através de questionário de frequência alimentar (QFA) validado para a dieta brasileira, com base em medidas e períodos padronizados.

Resultados: Os 1404 participantes incluídos foram divididos em 3 grupos: 548 onívoros, 617 ovo-lacto-vegetarianos e 239 vegetarianos estritos. Não houve diferenças nos grupos em relação à idade, raça ou sexo. Foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos onívoro, ovo-lacto-vegetariano, e vegetariano estrito favoráveis ao vegetarianismo em suas formas para várias medidas antropométricas (peso, índice de massa corporal, frequência cardíaca em repouso, pressão arterial sistólica, pressão arterial diastólica, percentual de gordura abdominal e circunferência abdominal), índice de gordura abdominal e membros, e à bioimpedância. Houveram diferenças significativas entre os grupos para fatores laboratoriais associados a aterosclerose subclínica (hemoglobina glicada, sódio urinário de 12h, cálcio urinário de 12h, creatinina sérica, alanina transaminase, gama GT, ácido úrico, colesterol total, LDL colesterol, não HDL colesterol, triglicérides, glicemia de jejum e após 2h de carga glicêmica, insulinemia de jejum e 2h após carga glicêmica, proteína C reativa ultrassensível, fósforo urinário e dosagem de 25- OH-Vitamina D). Dos exames complementares, foram observadas diferenças favoráveis aos grupos vegetarianos na ultrassonografia para espessura de íntima de carótidas, e do bordo hepático, Velocidade de Onda de Pulso (PWV) e Escore de Cálcio Coronário (CAC).

Conclusão: No grupo estudado observou-se que a dieta vegetariana, dentro de suas variantes (vegetariana estrita e ovo-lacto-vegetariana) conferiram um menor risco cardiovascular associado a marcadores de aterosclerose subclínica dentro de uma população adulta na faixa de 35-74 anos residentes no estado de São Paulo.

Descritores: Aterosclerose; Dieta vegetariana; Comportamento Alimentar; Fatores de risco; Doença das coronárias; Doenças cardiovasculares; Epidemiologia

Gomes EP. Análise da Associação entre Vegetarianismo e aterosclerose subclínica em população adulta no Estado de São Paulo. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2018.

Autor: Everton Padilha Gomes
Orientador: Dr. Alexandre da Costa Pereira
Programa: Cardiologia
Data e local: 08 de abril de 2019, 14h, no anfiteatro do InCor – Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 44 – 2º andar – Bl. I.

 

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