Avaliação do acoplamento ventrículo-arterial na hipertensão arterial pulmonar associada à esquistossomose

17/02/2020 | 18:00

A hipertensão arterial pulmonar associada à esquistossomose
(HAP-Sch) é uma doença de alta relevância no cenário da hipertensão pulmonar, particularmente em países em desenvolvimento. Em comparação com a hipertensão arterial pulmonar idiopática (HAPi), a HAP-Sch vem sendo caracterizada como uma doença de maior sobrevida, sem que tenham sido identificados mecanismos que justifiquem sua particular evolução clínica. O acoplamento ventrículo arterial (VDAP), expresso pela relação entre a contratilidade do ventrículo direito e sua pós-carga, vem sendo estudado como potencial marcador da resposta cardíaca frente à doença vascular pulmonar. Entretanto, não há estudos na literatura avaliando o VDAP na HAP-Sch. Objetivos: Comparar o VDAP de pacientes com HAP-Sch com o encontrado em pacientes com HAPi. Avaliar a associação do VDAP com os achados hemodinâmicos e com a sobrevida em ambas as situações. Métodos: Estudo retrospectivo com os pacientes com diagnóstico de HAP-Sch ou HAPi que realizaram cateterismo cardíaco direito (CCD) no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo entre 2013 e 2017. Foram revisadas as características clínicas e hemodinâmicas e, através do registro das curvas do CCD, foi estimada a pressão máxima isovolêmica do ventrículo direito (Pmaxiso) para cálculo da elastância do ventrículo direito ao final sístole (Ees). O VDAP foi calculado pela relação entre a Ees e a elastância da artéria pulmonar (Ea). Resultados: Foram incluídos 33 pacientes com HAP- Sch e 68 pacientes com HAPi. O grupo HAP-Sch apresentou idade mais avançada (55,5 ± 15,1 vs 42,7 ± 15,2; p <0,001) sem diferença nos parâmetros hemodinâmicos obtidos pelo CCD. Pacientes com HAP-Sch apresentaram maior VDAP (1,93 ± 0,83 vs 1,51 ± 0,61; p = 0,012), maior Ees (1,78±1,41 vs 1,21±0,69; p 0,033) e não houve diferença na Pmaxiso e na Ea comparados a HAPi. Foram avaliadas correlações dos dados hemodinâmicos com os relacionados ao VDAP, destacando-se a relação entre VDAP e a pressão de átrio direito (PAD) (p = 0,001; r = 0,322), entre Ea e a resistência vascular pulmonar (p <001; r = 0,909) e entre Ees e o índice cardíaco (p <0,001; r = 0,519). Pacientes apresentando VDAP acima da mediana encontrada no estudo apresentaram sobrevida significativamente melhor (p = 0,032). Após análise bivariada considerando o VDAP e o diagnóstico de base evidenciou que o acoplamento ventrículo arterial se mantém como marcador prognóstico independente do tipo de hipertensão arterial pulmonar (p = 0,030; HR = 0,287; 95% IC, 0,093 – 0,883). Conclusão: O acoplamento ventrículo-arterial é um fator prognóstico na hipertensão arterial pulmonar, estando aumentado na HAP-Sch, em relação a HAPi, sugerindo que a resposta ventricular frente à doença vascular pulmonar associada à esquistossomose possa ser o motivo pelo qual esta forma particular de hipertensão arterial pulmonar possui melhor prognóstico em relação à hipertensão arterial pulmonar idiopática.

Descritores: Hipertensão pulmonar, Esquistossomose, Hemodinâmica, Cateterismo cardíaco, Sobrevida, Acoplamento ventrículo-arterial.

Alves Junior JL. Avaliação do acoplamento ventrículo-arterial na hipertensão arterial pulmonar associada à esquistossomose [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2019.

Autor: José Leonidas Alves Junior
Orientador: Prof. Dr. Rogério de Souza
Programa: Pneumologia
Data e local: 17 de fevereiro de 2020, 13h30, na Técnica Cirúrgica – Av. Dr. Arnaldo, 455 – Sl. 4104 – 4º andar FMUSP.

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