Circulação assistida substitui função cardíaca por longo período

O dispositivo que auxilia pacientes à espera de transplante pode ser usado a vida toda, dependendo do problema

12/03/2018 | 08:00

Cirurgia cardíaca
Foto: KentWeakley / iStock

O auxílio circulatório, que é realizado com o emprego de um aparelho ou dispositivo, é necessário quando o coração enfraquece e perde função, o que pode acontecer após um infarto ou quadro de insuficiência cardíaca, entre uma série de outras causas.

Existem vários tipos de dispositivos que podem ser implantados dentro ou fora do corpo, com capacidade de funcionamento, por dias, semanas, meses ou anos. Os totalmente implantáveis, que trabalham por meses, são os modelos chamados de longa permanência. Eles têm tecnologia mais avançada e são de maior custo.

Os aparelhos externos ao corpo, que ficam em funcionamento por alguns dias, são chamados de curta permanência, sendo mais simples e de menor custo.

Os implantáveis têm dimensões relativamente pequenas e são colocados dentro do corpo do paciente. Eles são inseridos entre o tórax e o abdômen, próximo ao diafragma, ou também pode ser implantados próximo à ponta do coração.

O tipo de modelo a ser empregado depende das condições e das necessidades do paciente. Às vezes, a perda de função cardíaca é temporária, e o auxílio circulatório é circunstancial, podendo ser retirado após pouco tempo de uso, quando o coração recupera a sua função de bombeamento.

Em outras situações, seu uso pode ser necessário por tempo mais longo, enquanto o paciente espera por um futuro transplante, ou pode ser até permanente, funcionando de forma continuada, a vida toda.

Outra característica é que esses dispositivos podem auxiliar na função do lado esquerdo do coração (mais comum), do lado direito ou até a substituição do funcionamento total do órgão, o chamado coração artificial total, de uso ainda inicial e restrito.

O uso dos dispositivos de assistência circulatória está se tornando cada vez mais comum, principalmente nos países mais desenvolvidos, segundo o diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do InCor, Dr. Fábio Jatene. No nosso país, um empecilho para que esses aparelhos possam ser mais empregados é o custo, diz ele. “São equipamentos muito caros, cujo valor começa em 15 mil reais — os mais simples –, podendo chegar, os mais complexos, a 600 mil reais.”

Os de menor custo são os de uso temporário, ou de curta-duração. Os de uso prolongado ou até permanentes são os mais caros. De acordo com Jatene, esses dispositivos não constam da lista de equipamentos cobertos regularmente pelo SUS, e nem os convênios custeiam sua aquisição.

“Para utilizá-los precisamos buscar alternativas, como a doação de empresas ou programas filantrópicos do governo, quando seu uso é indispensável.”

Os pacientes que recebem o dispositivo podem levar vida praticamente normal, podendo inclusive fazer exercícios. Tanto que alguns optam por não se submeter ao transplante, quando recomendado e quando aparece a oportunidade, preferindo permanecer com o dispositivo, uma vez que se sentem bem e seguros com o aparelho, diz diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular do InCor, Dr. Fábio Jatene.

Alternativa aos transplantes

Atualmente, em todo o mundo, perto de 40% dos pacientes com insuficiência cardíaca e com indicação para receber um transplante fazem uso do dispositivo, antes da realização do mesmo e enquanto aguardam o órgão. É o que se chama de “Ponte para o Transplante”.

Ao auxiliar o trabalho do coração enfraquecido, bombeando sangue para o sistema circulatório, o dispositivo mantém o paciente em condições clínicas satisfatórias, enquanto aguarda o transplante: o rim funciona normalmente e o estado nutricional dele é mantido.

Nestas condições, segundo Jatene, os dispositivos funcionam mais que do que o próprio coração, substituindo até quase totalmente a função cardíaca. “Se o paciente estiver em uma fase muito avançada da insuficiência cardíaca e o aparelho não for implantado, o doente, por vezes não sobrevive até o transplante e mesmo que consiga sobreviver, vai deteriorando suas condições. clínicas e chega para o transplante em uma condição muito desfavorável, subnutrido, com problemas renais, entre outros”, informa Jatene.

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