Cirurgia da raiz da aorta

Deve-se preservar a valva aórtica ou a operação com o tubo valvulado ainda é a primeira opção de tratamento para esses pacientes?

21/12/2017 | 10:47

Por Ricardo Dias*

Figura 1. Desenho da operação com o conduto valvulado substituindo a raiz da aorta doente.

A operação tradicionalmente proposta para a correção das doenças que acometem a raiz da aorta e a valva aórtica é a sua substituição por um conduto valvulado (fig.1).

Muito já se discutiu, porém, sobre qual seria a melhor forma de fazê-lo. Existem várias opções, tais como o homoenxerto, xenoenxerto, autoenxerto, conduto valvulado com prótese mecânica e com prótese biológica; e são diferentes as possibilidades para as diversas faixas etárias.

Muito já foi escrito, também, sobre as possibilidades de correção da raiz da aorta com a preservação da valva aórtica, independentemente dos graus de insuficiência aórtica. Não foram poucas também as considerações sobre sua inaplicabilidade para os pacientes e sobre as dificuldades de assimilação das técnicas do método por todos os cirurgiões.

Menos infecções e complicações

Figura 2. Passo-a passo da operação de substituição da raiz da aorta e preservação valvar. 1. Fotografia intraoperatória do aneurisma. 2. Ressecção da raiz da aorta e preservação do aparelho valvar aórtico e óstios coronarianos. 3. Fixação do tubo no plano subvalvar. 4. Fixação dos pilares comissurais no tubo de poliéster. 5. Fotografia intraoperatória do tubo após o reimplante dos óstios coronarianos.

Qual seria a justificativa de se fazer um procedimento mais difícil, que não pode ser utilizado para todos os pacientes e nem por todos os cirurgiões (fig. 2).

Em poucas palavras, porque uma boa valva nativa será sempre melhor do que a prótese mais desenvolvida. A literatura e nossas pesquisas mostram que, no longo prazo, os pacientes que ficam com a valva aórtica nativa apresentam menos complicações infecciosas, comparados àqueles que receberam prótese.

Os que ficam com a valva também apresentam menos complicações hemorrágicas porque não precisam do anticoagulante oral, que passa a ser de uso obrigatório para os pacientes com a prótese aórtica mecânica. Outro inconveniente da prótese mecânica que é mais utilizada nos nossos pacientes é o ruído que ela produz, semelhante a um “tique-taque”, que incomoda a maioria.

Se existe a opção de realizar uma cirurgia com o mesmo resultado e que simplifica o cuidado do paciente no pós-operatório, esta escolha deve ser perseguida, mesmo sendo de execução mais difícil. Principalmente quando deficiências do nosso sistema de saúde dificultam a identificação, encaminhamento e o necessário tratamento dos pacientes.

*Cirurgião cardiovascular responsável pelo Núcleo Cirúrgico de Miocardiopatias e Doenças da Aorta do InCor


Referência Bibliográfica

  1. Lamana FA, Dias RR, Duncan JA, ET al. Surgery of the aortic root: should we go for the valve-sparing root reconstruction or the composite graft-valve replacements still the first choice of treatment for these patients? Bras J Cardiovasc Surg 2015;30(3):343-52.

  2. Svensson LG, Pillai ST, Rajeswaran J, ET al.Long-term survival, valve durability, and reoperation for 4 aortic root procedures combined with ascending aorta replacement. J Thorac Cardiovasc Surg 2016;151:764-74.

  3. David TE, Armstrong S, Manlhiot, McCrindle BW, Feindel CM. Long-term results of aortic root repair using the reimplantation technique. J Thorac Cardiovasc Surg 2013;145:S22-5.

  4. Hiratzka LF, Bakris GL, Beckman JA, et al. 2010 ACCF/AHA/AATS/ACR/ASA/SCA/SCAI/SIR/STS/SVM. Guidelines for the diagnosis and management of patients with thoracic aortic disease. Circulation 2010;121:e266-e369.

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