Colesterol e inflamação na aterotrombose: quanto mais baixos, melhor

Antes do uso de medicações, muitas vezes caras, para a redução desses fatores de risco, devem-se considerar como primeiras opções as medidas saudáveis de estilo de vida

28/06/2018 | 08:35

Viviane Zorzanelli Rocha e Raul D. Santos *

Aterosclerose-doença-colesterol
Foto: frentusha / iStock

Esse editorial que acompanhou o consenso europeu sobre hipercolesterolemia e inflamação na aterosclerose, publicado recentemente (European Journal of Preventive Cardiology 2018, Vol. 25(9) 948–955), aborda a íntima relação entre colesterol e inflamação na doença cardiovascular aterosclerótica.

O colesterol e a inflamação participam juntos já da formação das placas ateroscleróticas, conforme já demonstrado por vários estudos experimentais. Além disso, diversas pesquisas
observacionais em humanos demonstraram que tanto concentrações mais elevadas de colesterol quanto um nível mais alto de inflamação (medida por exemplo pelas concentrações de proteína C-reativa ultrassensível) se associaram a risco aumentado de eventos cardiovasculares.

Adicionalmente, vários estudos clínicos demonstraram que a redução de colesterol com diversas intervenções (principalmente com estatinas) resultou em redução do risco cardiovascular, confirmando a importância causal do colesterol na doença cardiovascular aterosclerótica. Recentemente, um outro estudo mostrou que uma medicação exclusivamente anti-inflamatória (Canakinumab) também reduziu significativamente o risco de eventos cardiovasculares, corroborando a relevância da inflamação como fator de risco cardiovascular.

Portanto, a evidência mais atual mostra que tanto o colesterol como a inflamação são importantes fatores de risco cardiovascular, e a redução de ambos resulta em menor risco de eventos cardiovasculares.

É sempre importante destacar que antes do uso de medicações, muitas vezes caras, para a redução desses fatores de risco, devem-se considerar como primeiras opções as medidas saudáveis de estilo de vida, como alimentação equilibrada, o controle de peso, a prática regular de exercícios físicos e a cessação de tabagismo, todos com influência nos níveis lipídicos e na inflamação sistêmica.

* Médica assistente e Diretor da Unidade Clínica de Lípides, respectivamente.

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