Como preservar o pulmão de danos pré-transplante

Estudo não detecta diferente entre a técnica padrão de esfriamento do órgão com a proposta de oxigenação de membrana extracorpórea

23/01/2018 | 07:38

Alessandro Wassum Mariani*

Caixa de contenção com pulmão imerso em solução de preservação

Uma das maiores limitações ao desenvolvimento do transplante pulmonar é o curto tempo em que o órgão pode permanecer fora do corpo sem sofrer grandes danos. A baixa tolerância dos pulmões à isquemia pode levar à disfunção do enxerto e comprometer o resultado do transplante. Para evitar esse desfecho, a infusão de solução de preservação e resfriamento do órgão tem sido a técnica mais utilizada devido à sua praticidade, custo e eficácia. No final da década passada, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, propôs uma nova forma de preservação baseada na imersão do pulmão em um banho constante, utilizando para isso uma caixa de contenção específica e uma solução de preservação. A técnica, denominada de ECMO-tópico, que significa oxigenação de membrana extracorpórea, foi proposta por Steen et al (2009).

Leia também: Programa de tratamento do tabagismo do InCor consegue que dependentes larguem o cigarro depois de 3 meses, em média

Para definir se ela é realmente superior à técnica padrão de infusão de solução de preservação e resfriamento do órgão, sem o banho constante, realizamos um trabalho comparativo e experimental no InCor. O estudo foi baseado em 14 pulmões provenientes de sete doadores, cujos órgãos não preenchiam os critérios de seleção para utilização em transplante. Eles foram transportados para o laboratório do InCor e, cada um dos lados foi preservado de acordo com as técnicas diferentes de ECMO-tópico e isquemia fria (IF). Após oito horas, os pulmões foram testados no sistema ex-vivo.

O resultado surpreendeu nossa expectativa. Não houve diferenças entre a técnica ECMO tópico e de IC em termos de qualidade de preservação, desempenho hemodinâmico e histologia dos pulmões avaliados. A técnica já utilizada como padrão, apesar de ser mais simples, manteve o órgão com a mesma qualidade demonstrada pela nova técnica, mais trabalhosa e mais cara, o que nos leva a optar por manter a técnica padrão em nosso programa de transplante pulmonar.

* Médico-pesquisador do Departamento de Cirurgia Torácica e Cardiovascular do InCor

 

 


Referência Bibliográfica

  1. Mariani AW, Medeiros IL, Pêgo-Fernandes PM, Fernandes FG, Unterpertinguer Fdo V, Fernandes LM, Cardoso PF, Canzian M, Jatene FB. Cold ischemia or topical-ECMO for lung preservation: a randomized experimental study. Sao Paulo Med J. 2014;132(1):28-35.

     

  2. Ingemansson R, Eyjolfsson A, Mared L, Pierre L, Algotsson L, Ekmehag B, Gustafsson R, Johnsson P, Koul B, Lindstedt S, Lührs C, Sjöberg T, Steen S. Clinical transplantation of initially rejected donor lungs after reconditioning ex vivo. Ann Thorac Surg. 2009 Jan;87(1):255-60.

Veja também

25/10/2018 | Transplante pulmonar

Perspectivas do Transplante Pulmonar

Receba novidades do InCor

Escreva abaixo seu nome e email para lhe enviarmos nossa newsletter semanal com as últimas atualizações do portal Referência InCor.


Publicidade
back-top