Diretrizes de angina instável e infarto do miocárdio

Atualização de 2014 elege a identificação correta e o tratamento precoce e prevenção como principais alvos

18/01/2018 | 13:45

Luis Alberto Oliveira Dallan*

Foto: Shutterstock

As diretrizes de angina instável e infarto do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST, publicadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2007, ganharam atualização em 2014 e trazem algumas novidades para o maior entendimento das síndromes isquêmicas agudas, seu diagnóstico, tratamento e prevenção adequados.

As síndromes isquêmicas agudas são caracterizadas por uma desproporção entre a oferta e a demanda de oxigênio pelo miocárdio. Geralmente, associam-se à ruptura de placa aterosclerótica acompanhada de estreitamento da artéria coronária devido a um trombo não oclusivo, que eleva o risco de morte cardíaca. Suas manifestações, a angina instável e o infarto, são condições clínicas muito semelhantes e, dependendo da intensidade da isquemia, podem provocar lesão miocárdica com elevação de marcadores de necrose na corrente sanguínea.

Angina instável é definida como dor torácica relacionada ao comprometimento do coração, que tem início em repouso ou ao mínimo esforço e duração, geralmente, maior do que vinte minutos. Entre suas características se incluem a forte intensidade, o padrão em crescendo (intensidade maior, mais prolongada ou mais frequente do que a dor anterior) e início recente (dentro de um mês). Cerca de metade das pessoas que apresentam esse quadro terá infarto do miocárdio, que se constitui com a morte de células do coração e a elevação dos marcadores de necrose miocárdica no sangue, como CK-MB e/ou troponina.

A angina instável é a causa cardiovascular mais comum de internação hospitalar, e também a responsável pela maioria das internações em unidades coronarianas. Durante sua evolução, uma parte dos pacientes desenvolve elevações nos marcadores bioquímicos de dano miocárdico, configurando o quadro de infarto. Tanto a angina instável quanto o infarto do miocárdio podem deixar sequelas, quando não oferecem risco de óbito. A identificação correta do paciente que apresenta uma doença cardíaca e o seu tratamento adequado, com medicamentos e procedimentos em centros de saúde capacitados, reduzem essas chances de complicações.

A prevenção, por meio do combate aos fatores de risco que aumentam as chances de evolução das doenças, é a principal forma de evitar sequelas que podem levar à redução da expectativa de vida e aumento do risco de morte. Entre os fatores que podem ser modificados na prevenção das doenças referidas se incluem a cessação do tabagismo, combate à obesidade, controle do colesterol e o tratamento do diabetes. A prática regular de exercícios físicos é considerada essencial como prevenção.

*Diretor da Unidade Cirúrgica de Coronariopatias do InCor


Referência Bibliográfica

  1. Nicolau JC, Timerman A, Marin-Neto JA, Piegas LS, Barbosa CJDG, Franci A – Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol 2014; 102(3Supl. 1): 1-61

  2. Para saber mais: Timerman S; Dallan, LAP; Geovanini GR. Síndromes coronárias agudas e emergências cardiovasculares. São Paulo; Atheneu; 1 ed., 2013. 503 p.

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