Estreitamento e degeneração da válvula aórtica

Envelhecimento da população pode ser acompanhado de um problema grave de saúde pública com a estenose da válvula que libera o fluxo de sangue para a principal artéria do corpo humano

11/07/2018 | 08:02

Anatomia interna do coração
Foto: Bangkokerz / iStock

A estenose aórtica degenerativa, caracterizada pelo estreitamento da válvula que libera o sangue para a aorta, está se transformando em um problema grave de saúde pública nos próximos anos, no Brasil, por conta do envelhecimento da população. Os idosos de mais de 80 anos são o alvo principal da doença. E o mais preocupante é que 3% a 5% da população pode apresentar algum grau de acometimento da valva aórtica, a partir dos 65 anos de idade, segundo Flavio Tarasoutchi, diretor da Unidade de Valvopatias do InCor.

A hipertensão arterial, aumento do colesterol, o diabetes mellitus e o tabagismo estão na origem do problema, nos casos mais precoces de estreitamento da valva aórtica, acrescenta o cardiologista. São os mesmos fatores que levam à aterosclerose coronariana – ou seja entupimento das artérias que irrigam o coração.

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O estreitamento da válvula aórtica (estenose) está na origem do problema. O diâmetro normal de vazão desta válvula é de 3cm2. Quando ele diminui em dois terços, devido à degeneração da valva aórtica, deixando uma abertura menor do que 1cm2, o coração é obrigado a fazer um esforço maior para bombear o sangue para a aorta. E a partir daí o processo calcificação se instala.

O sintoma mais importante é a insuficiência cardíaca. A pessoa sente falta de ar, cansaço ao andar ou ao realizar as tarefas do dia-a-dia. A sensação de desconforto no peito, que lembra a angina, é outro sintoma. Um terceiro sintoma, muito grave, é a perda súbita de consciência. “A pessoa está andando e de repente apaga. Tem a sensação de que escurece tudo.”

A associação desses três sintomas favorece a evolução rápida da doença para óbito, o qual pode se dar em um a dois anos. “Então, a pessoas devem estar atenta”, diz Tarasoutchi, lembrando que o médico pode detectar a estenose aórtica em um exame clínico.

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O sangue ao passar com mais dificuldade pela válvula da aorta, que é a principal artéria do sistema cardiovascular, da qual derivam todas as outras artérias do organismo humano, pode produzir uma reverberação que leva a um sopro de média até alta frequência, o qual é perceptível com o uso do estetoscópio, afirma o pesquisador do InCor.

Quem tem a tendência de degeneração da válvula pouco pode fazer para evitar a inflamação do tecido que leva à estenose, de acordo com o cardiologista. “Mas é possível minimizar a ocorrência dessa inflamação dos tecidos da válvula, evitando o tabagismo, controlando a hipertensão arterial , o colesterol, a síndrome metabólica e o diabetes.”

Tratamento via cateter

O procedimento padrão para a troca da válvula é cirúrgico. Entretanto, nos últimos 15 anos, o desenvolvimento de intervenções não invasivas, via cateter, para a implantação da prótese (a válvula) passaram a ser indicadas para idosos de mais de 80 anos e pessoas vulneráveis, com risco cirúrgico elevado ou proibitivo, como doenças associadas ao envelhecimento, problemas pulmonares de fígado ou de coagulação.

O TAVI, sigla dos termos em inglês Transcatheter Aortic Vale Implantation, começou a ser usado experimentalmente na França, em 2003. Estudos realizados a partir de 2007 na Europa e Estados unidos mostraram a efetividade do procedimento[1]. “No Brasil, tivemos o primeiro caso de válvula implantada por meio de cateter, a partir da artéria femoral, em 2008, diz Flavio Tarasoutchi. “Hoje, são mais de 1200 pacientes tratados com esse procedimento e o InCor, inclusive, faz parte do registro nacional de implantes dessas próteses.”

A válvula é implantada com cateter, por via da artéria femoral, usualmente. O InCor tem realizado também o implante dessas próteses através de outras vias de acesso, como por exemplo, via apical. Este é realizado quando o acesso transfemoral apresenta alguma restrição. A via apical corresponde a uma pequena incisão no peito, no nível da ponta do coração.

A indicação da TAVI depende da localização dos pontos de calcificação da válvula. E da disponibilidade de recursos, porque o custo das próteses ainda é alto, observa o cardiologista, o que restringe muito essa opção de procedimento menos invasivo “Estamos preparando o InCor para diversificar e desenvolver o potencial dessas intervenções, no entanto, porque a população está envelhecendo. E este é o novo setor de pesquisa do hospital.”

Substituição da Valva Aórtica Transcateter

Como é feita a substituição da Valva Aórtica Transcateter

[1] N Engl J Med 2011; 364:2187-2198 DOI: 10.1056/NEJMoa1103510

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