Eventos adversos durante a aplicação de técnicas fisioterapêutica

04/09/2018 | 09:15

Introdução

Intervenção fisioterapêutica engloba a realização de diversas técnicas. As mais comumente empregadas no pós-operatório de cirurgia cardíaca incluem manobras para a remoção de secreções brônquicas, estímulo da tosse, exercícios para expansão pulmonar, posicionamento e mobilização do paciente, transferências corporais e uso de pressão positiva pulmonar. Devido à constante manipulação do paciente, alterações hemodinâmicas com a necessidade de drogas vasoativas, complicações respiratórias e neurológicas, eventos adversos como perdas de dispositivos e cateteres, extubação não programada poderá ocorrer durante esse manuseio. Estudos indicam que a incidência desses eventos costuma ser pequena. A fisioterapia, ciência capaz de recuperar e promover a funcionalidade do paciente, zela por tornar segura sua intervenção. Por isso, a detecção e monitoramento desses eventos tornam-se fundamentais. Embora indesejáveis, os eventos adversos, quando ocorrem, podem acarretar danos ao paciente. Dessa forma, mensurar a incidência e a proporção de eventos adversos reflete a qualidade do cuidado prestado ao paciente, da mesma forma que as ações educativas e preventivas, principalmente em unidades de terapia intensiva, local reconhecido como vulnerável à sua ocorrência, devido à alta complexidade clínica e à urgência na tomada de decisões. Sendo assim, justifica-se a importância do estudo dos eventos adversos em pacientes no pós-operatório de cirurgia cardiovascular, sob intervenção fisioterapêutica, para melhorar nossa qualidade assistencial.

Método

Realizamos um estudo com 258 pacientes, submetidos a 638 intervenções fisioterapêuticas, no pós-operatório imediato de cirurgia cardiovascular, internados nas UTIS cirúrgicas do Incor. As intervenções foram realizadas por fisioterapeutas alheio ao protocolo. A ocorrência de eventos adversos foi classificada segundo a consequência sintomática do paciente, em uma escala crescente de gravidade, variando de I a V, baseada nos critérios de Subcomissão de Segurança do Paciente InCor, onde Grau I (quase erro) é quando o incidente não chega a vitimar o paciente, por ser detectado antes que isso aconteça; Grau II (dano leve), quando ocorrerem sintomas leves e/ou perda de função e/ou danos mínimos ou intermediários de curta duração, sem intervenção mínima requerida; Grau III (dano moderado), requer intervenção e/ou necessita de aumento de estadia e/ou causa danos em longo prazo acima de 120 dias e/ou ocasiona perdas de funções por longo prazo; Grau IV (dano grave), necessita de intervenção para salvar a vida ou grande intervenção médico/cirúrgica e/ou encurta a esperança de vida; e/ou causa grandes danos permanentes ou em longo prazo; e/ou ocasiona perdas de funções; e Grau V (óbito), quando, no balanço das probabilidades, a morte foi causada ou antecipada a curto prazo pelo incidente.

Resultados

Nossos resultados demonstraram que em pacientes sob ventilação mecânica invasiva, o evento adverso mais frequente foi durante a manobra de recrutamento alveolar (75%), aspiração endotraqueal (44%) e hiperinsuflação manual (19%), com 10% destes necessitando de intervenção. Os eventos adversos ocorreram em maior número em pacientes com escore SOFA alto e/ou antecedente clinico de hipertensão arterial. Em pacientes respirando espontaneamente, obteve-se 18% de registro de ocorrências, sendo as mais comuns durante a deambulação (40%) e na ventilação não invasiva (37%). Os principais eventos adversos foram hemodinâmicos, como alterações na pressão sanguínea e vertigem, e somente 2% do total das intervenções requereram mínima intervenção. Não houve registro de queda de paciente, extubação não programada ou perda de dispositivos (tubo endotraqueal, sondas e cateteres). Nenhum evento adverso ocasionou aumento do tempo UTI ou hospitalar.

Conclusão

Nossos resultados contribuíram para identificar as técnicas com maior risco de causar eventos adversos, determinar estratégias de treinamento voltadas para melhoria da qualidade do cuidado e a maior conscientização das medidas para se evitar os eventos adversos. As intervenções fisioterapêuticas impõem riscos sem danos, porém prevenções sistemáticas de risco são necessárias na busca de padrão de excelência. Este estudo demonstra que estamos comprometidos com o cumprimento de normas básicas de segurança, para buscar as melhores práticas fisioterapêuticas, livre de danos e com respeito máximo ao paciente.

Autoria: Emilia Nozawa; Mauro Takei, Celmy CDA Melo, Vera Regina de Moraes Coimbra, Mayson Laercio de Araújo Sousa, Maria Ignêz Zanetti Feltrim .

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