Exercício melhora vida de pacientes com LAM

Mulheres com Linfangioleiomiomatose pulmonar (LAM), uma doença que reduz a capacidade respiratória, podem e devem praticar exercícios, confirma estudo recente

05/01/2018 | 13:56

Foto: Shutterstock

As atividades aeróbica e de musculação, regulares, não só são uma intervenção segura, como melhoram a capacidade física, atenuam a dispneia e elevam a qualidade de vida de pessoas com LAM, mostrou o ensaio clínico controlado sobre Reabilitação Pulmonar em LAM, da Divisão de Pneumologia, do Incor*. O estudo incluiu 40 pacientes atendidas no ambulatório da Divisão, todas mulheres.

A Linfangioleiomiomatose pulmonar é uma doença rara e de etiologia desconhecida, que afeta principalmente mulheres no período fértil, entre os 25 e 48 anos. O objetivo dos pesquisadores foi avaliar a segurança e eficácia da reabilitação pulmonar na LAM com base em um programa de exercícios moderado: 24 sessões de treino físico, duas vezes por semana, divididos em 30 minutos de caminhada na esteira e 30 minutos de musculação.

O principal resultado observado foi a confirmação da capacidade de exercício das pacientes, medido em tempo de resistência durante teste de esforço em ritmo constante. Além de conseguirem se exercitar, as mulheres passaram a ter menos sintomas de dispneia e maior disposição física com o treino. Sintomas de falta de ar, desconforto nas pernas, ritmo cardíaco e de saturação do oxigênio arterial, aferido por oximetria de pulso (SpO2), foram monitorados a cada 5 minutos.

O treino de musculação inicial contemplou três séries de oito repetições para cada tipo de exercício, cuja carga foi de 50% de uma repetição máxima. Quando a paciente conseguia fazer mais de 12 repetições por série, a carga foi aumentada. As mulheres também receberam informação sobre a fisiopatologia da LAM e o tratamento, fisiologia do exercício e a importância da atividade física. As pacientes tinham de participar de 80% do programa de treinamento (ao menos 20 sessões) para ter os resultados de seu desempenho avaliados. As mulheres que compunham o grupo controle receberam as mesmas informações sobre a doença e a importância da atividade física, mas foram aconselhadas a não mudar sua rotina de atividade física anterior ao estudo até o final do mesmo.

Este foi o primeiro ensaio clínico conhecido que investigou os efeitos de um programa de reabilitação pulmonar na LAM. Obteve como resultado o principal desfecho mencionado: a melhoria notável da capacidade de exercício, medida pelo tempo de resistência durante o teste de esforço em uma curta distância e a um ritmo constante. Outros resultados do ensaio clínico que vale destacar foram os seguintes: aumento do pico de consume de oxigênio (V’O2); redução da dispneia; aumento da atividade física diária; melhora da qualidade de vida relacionada com a saúde e a força muscular. A tendência de melhoria dos sintomas de depressão foi também observada e o programa foi seguro, bem tolerado e teve uma alta taxa de adesão.


Referência Bibliográfica

  1. Araujo M.S, Baldi BG, Freitas CSG, Albuquerque, ALP, Marques da Silva CCB, Kairalla RA, Carvalho,        CRF e Carvalho CRR — Pulmonary rehabilitation in lymphangioleiomyomatosis: a controlled clinical trial, Eur Respir J 2016; 47: 1452–1460 | DOI: 10.1183/13993003.01683-2015

  2. Para saber mais: MEDEIROS JUNIOR, Pedro; CARVALHO, Carlos Roberto Ribeiro. Linfangioleiomiomatose pulmonar. J. bras. pneumol., São Paulo ,v. 30,n. 1,p. 66-77,  Feb.  2004 .   Available from Scielo. access on  30  Sept.  2016.  http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132004000100013.

Receba novidades do InCor

Escreva abaixo seu nome e email para lhe enviarmos nossa newsletter semanal com as últimas atualizações do portal Referência InCor.


Publicidade
back-top