Fatores de risco e tratamento da insuficiência cardíaca

A maioria dos pacientes desenvolve o problema após um infarto ou doença cardíaca

18/12/2017 | 14:19

Aula sobre coração
Foto: Sérgio Barbosa

A unidade de insuficiência cardíaca do InCor, maior serviço de pesquisa e atendimento desse problema em toda América Latina, atende no ambulatório, diariamente, em torno de 40 a 50 pacientes que já desenvolveram a doença, bem como trabalha com sua prevenção. Hoje, estima-se que 2 a 4% da população apresente insuficiência cardíaca. A maioria dos pacientes desenvolve o problema após uma doença coronariana que gerou um infarto, por exemplo, ou devido à hipertensão ou diabetes ou após lesão por agente infeccioso ou drogas.

Parte dos pacientes pode apresentá-la depois de uma miocardiopatia específica ou de uma doença congênita. Os casos que aparecem nos idosos podem estar associados à idade, obesidade, hipertensão pulmonar ou arterial ou outras causas. Os fatores de risco para insuficiência cardíaca são múltiplos. Em um terço dos casos, porém, o médico não consegue definir suas origens.

O tratamento da insuficiência cardíaca é baseado em medicamentos, como betabloqueadores, inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona, diuréticos, e modificações nos hábitos de vida como prática controlada de exercícios físicos – definida de acordo com a necessidade de cada paciente, e alimentação saudável. Nos casos mais extremos o transplante do coração e o coração artificial (ou dispositivos de assistência ao coração) podem auxiliar o paciente. De qualquer forma, é importante prevenir as doenças que podem levar o paciente a desenvolver o problema, por meio da redução de fatores de risco para doenças do coração como, por exemplo, o tabagismo, hipertensão arterial, diabetes, estresse, colesterol elevado, vida sedentária e hábitos de vida inadequados. Um dos fatores de risco da insuficiência cardíaca, pouco discutido na sociedade ou na mídia, é a doença de Chagas. Ela é a origem da insuficiência cardíaca de 17% dos pacientes atendidos no InCor.

A doença de Chagas afeta principalmente os indivíduos mais pobres, que vivem em moradias precárias, na área rural, onde é mais frequente a presença dos insetos transmissores do agente infeccioso responsável pela doença, o protozoário Tripanosoma cruzi. O principal vetor da doença no Brasil é um percevejo conhecido como barbeiro ou chupão. Mas existem mais de 300 espécies de insetos que podem transmitir o Tripanosoma cruzi.

O protozoário é transmitido quando o barbeiro pica o indivíduo para se alimentar de seu sangue. Assim que termina de sugar a vítima, o inseto defeca, liberando protozoários sobre a ferida e a pele do local. Ao penetrar no sangue, o parasita produz uma infecção aguda, que pode passar despercebida. A manifestação crônica da doença é a inflamação do coração que leva ao alargamento do músculo e à insuficiência cardíaca, que pode vir a ocorrer 20 a 40 anos após essa infecção original.

A doença de Chagas também pode ser transmitida por alimentos contaminados com as fezes do barbeiro, por transfusão de sangue ou da mãe para o filho, durante a gravidez. Com o tratamento os pacientes conseguem viver adicionalmente durante 10 a 15 anos, em média. Depois de um dado momento, o remédio deixa de ser eficaz para conter a evolução da doença.

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