Febre amarela: a hora não é para desespero

Quem corre mais risco e deve ser vacinado e a precaução com os idosos e pacientes de doenças cardíacas e de pulmão

21/01/2018 | 22:49

Fila para tomar a vacina contra a Febre Amarela no Posto de Saúde de Santa Cecília, São Paulo
Foto: Paulo Pinto / FotosPublicas

O crescimento dos casos de febre amarela, observados desde meados do ano passado, inicialmente em áreas de mata ao redor de Sâo Paulo, capital, como do Horto Florestal e, posteriormente, em áreas também silvestres de municípios vizinhos, tais como, Mairiporã, Atibaia e Bragança, gerou uma onda de consultas ao Incor.

O público, principalmente de pacientes com doenças cardiovasculares ou de pulmão, atendidos nos ambulatórios da instituição, quer saber se deve ser vacinado, quando não deve, quais os efeitos colaterais, os riscos e benefícios ou contraindicação da imunização.

A preocupação em torno dos casos da doença e como evitá-la é compreensível, uma vez não há tratamento para febre amarela e a doença é grave. Mas a hora, tampouco, é para desespero, afirma a infectologista do InCor, Tania Strabelli. Na entrevista a seguir, a infectologista esclarece que a instituição não tem competência para orientar quem deve ser vacinado ou não, no geral – esta é uma função dos órgões de vigilância e saúde. Mas, acrescenta que cabe ao médico tomar a decisão, caso a caso, depois de informar os pacientes sobre riscos e benefícios da imunização.

Quem corre mais risco e deve ser vacinado

Devem ser vacinadas as pessoas que vivem nas regiões silvestres que estão registrando os casos, chamadas de áreas de risco. A vacina já era exigida, regularmente, em toda a região norte e centro-oeste. Os Estados de Goiás e Mato Grosso e a região do Pantanal sempre foram alvo de vacinação obrigatória. Essa obrigatoriedade se estendeu agora para Espirito Santo, Minas Gerais e, esta semana, para o estado de São Paulo. Para prevenção da doença, toda a população deverá ser vacinada em 2018.

Quem fez transplante não pode ser vacinado

Quem foi transplantado não pode receber a vacina e não deve ir para essas áreas de risco. Se mora por lá, deve usar repelente a base de icaridina, andar de manga comprida e, se possível, sair por uns tempos. A recomendação é a mesma feita para quem vai à África, onde a febre amarela é urbana em alguns países. É importante lembrar de novo que no Brasil as áreas próximas de mata é que estão apresentando risco. Não existe febre amarela urbana no país.

Quem tem problema cardíaco ou no pulmão e faz tratamento

Essas pessoas terão de consultar o seu médico e solicitar um laudo autorizando ou não a vacinação. O médico tem de conhecer o estado do paciente para saber se vai liberá-lo. Por exemplo, ele pode autorizar a vacinação de um paciente de 70 anos, morador de área de risco, que tem doenças crônicas, mas controladas. Desde que o informe sobre os riscos, porque ele pode apresentar efeitos colaterais maiores e pode preferir usar repelente todos os dias e se afastar da região, por exemplo, indo morar em outro lugar, em vez de ser vacinado. Vamos ter de discutir caso a caso. Outro exemplo: gente que tem um sitio em área de risco pode perfeitamente resolver não ir para a região enquanto houver alerta de risco da doença.

Quem necessita do Certificado Internacional de Vacinação deve receber a vacina tradicional

A Organização Mundial da Saúde exige a vacinação tradicional para a concessão deste certificado. Portanto a ANVISA não vai dar certificado de imunização para quem receber a vacina com dose fracionada..

Porque está se usando a dose fracionada

O único motivo de fracionar a vacina contra febre amarela é este: não tem a vacina para todo mundo. E não tem no mundo inteiro. Não existe essa capacidade de produzir mais vacinas, no Brasil e no mundo inteiro, por isso estão fracionando. A dose fracionada que vem sendo adotada não imuniza para toda a vida, mas, protege por pelo menos 8 anos.

Como atua a vacina e quais efeitos colaterais ela pode causar

O vírus é atenuado para perder as características que causam a doença, sem prejuízo da capacidade de produzir anticorpos. Ele passa por um processo de cultivo sucessivo em células de tecido para perder potência e continuar com capacidade de produzir anticorpos. Pouco menos de 10% dos vacinados podem apresentar efeitos colaterais, como dor de cabeça, no corpo e mal estar. Eles têm duração autolimitada. O potencial de efeitos colaterais é maior nos idosos que tem a imunidade comprometida, por isso os indivíduos com mais de 65 anos devem ser avaliados previamente para o uso da vacina.

Crianças e gestantes não correm risco de apresentar efeitos colaterais

Criança é o grupo que menos apresenta problemas e, a partir da idade recomendada, quanto antes vacinar melhor. Neste momento, está liberada a vacinação de gestantes que moram na área de risco, mas sempre após avaliação médica.

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