Enzo e Benjamin, gêmeos em busca de um novo coração

11/04/2019 | 15:54

Em caso inédito, irmãos de 2 anos possuem a mesma doença cardíaca,
com sintomas que surgiram ao mesmo tempo.

Conheça a emocionante história dos gêmeos Enzo, que fez o transplante de coração no dia 8 de março de 2019, e Benjamin, que aguarda na fila de espera também por um novo coração.

Os irmãos Enzo e Benjamin Costa acabam de completar 2 anos de idade e têm pela frente um grande desafio. Em 2017, com poucos meses de vida, eles vieram do Maranhão, com seus pais Mila e Deivid Allan, em busca de tratamento no Instituto do Coração.

O caso deles é inédito na cardiologia brasileira: gêmeos que possuem a mesma doença cardíaca, com sintomas que surgiram ao mesmo tempo. Veja aqui a matéria completa do Fantástico.

Filhos de uma gravidez muito desejada e, segundo Mila, surpreendente – os pais tinham problemas para engravidar e ficaram muito surpresos com a notícia da gravidez natural e, depois, pela felicidade da descoberta de gêmeos -, Enzo e Benjamim nasceram normais e saudáveis, como atestam os exames, inclusive de ecocardiograma, feitos logos ao nascimento.

Com alguns meses de vida, Benjamim começou a se mostrar cansado e com dificuldade de respirar, depois das brincadeiras. Ao levar seu bebê para o hospital, Mila ficou chocada com a notícia dos médicos. “Leve seu filho imediatamente para o hospital e mande internar na UTI porque o seu filho está morrendo”. Assustados, os pais também submeteram Enzo aos exames, e o resultado foi o mesmo: cardiomiopatia dilatada.

Em novembro de 2017, eles desembarcam em São Paulo, para uma consulta no InCor. Poucos dias depois, os gêmeos passam mal, e a mãe correu com eles para a Emergência do Instituto do Criança do Hospital das Clínicas. “Eu tinha uma visão muito diferente de São Paulo”, diz a mãe. “Era uma visão de um lugar hostil, violento… De repente eu tinha quatro médicos atendendo meus filhos. Logo depois vieram mais dois médicos, e isso me deixou maravilhada”. Ela sentiu que os seus bebês estavam em boas mãos.

No mesmo dia eles foram transferidos para o InCor. Em dezembro de 2017, depois de uma série de exames, Benjamin foi colocado na fila de espera do transplante cardiopediátrico. Logo depois, Enzo também entrou na fila.

Foto: arquivo pessoal

Foram meses de idas e vindas ao InCor, entre consultas e internações, mas os meninos estavam aparentemente bem, com energia para brincar. Quando chegou a notícia do possível órgão para transplante, na madrugada de 8 de março, a mãe mal pode acreditar. “Eu, como mãe, não teria condições de escolher qual dos meus filhos, caso o coração chegasse. Como uma mãe faz uma escolha dessas? Não tem como”.

Benjamin estava antes na fila, mas como ele adoeceu por causa de uma virose, o transplante acabou acontecendo primeiro para o Enzo, que se recupera bem e já corre e brinca pelos corredores do hospital. “Quando a criança é transplantada, a família também é transplantada. Não porque ganhou um órgão novo, mas porque a gente ganha a qualidade de vida, a gente ganha a criança bem, e isso não tem preço.”

O próximo capítulo dessa história será transplantar Benjamin, que continua à espera do novo coração e do irmão Enzo voltar para casa.

Salvar vidas não tem preço

 

A história de Enzo e Benjamin Costa é exemplar em mostrar o cuidado humano das equipes do Instituto do Coração e o motor da excelência do hospital em todas as suas frentes de atuação.

Isso porque a manutenção de programas de transplante demanda uma série de avanços tecnológicos, além de um alto nível de expertise das equipes multiprofissionais que fazem esses procedimentos de alta complexidade.

No caso do InCor,  o hospital é uma organização dinâmica, em que todas as áreas e especialidades se comunicam e se integram nos programas de assistência, ensino e pesquisa.

Desde o início, a excelência tecnológica e técnica do transplante, primeiro cardíaco e mais tarde também pulmonar, acabou por  contagiar todos os outros processos do Instituto do Coração e vice-versa, explica o Prof. Dr. Fabio Jatene, vice-presidente do Conselho Diretor e diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular à qual estão ligados os programas de transplante de coração adulto e cardiopediátrico.

Dra. Estela Azeka, cardiologista e médica responsável pela equipe clínica do Programa de Transplante Cardiopediátrico do InCor examina Enzo.

Dentro dessa lógica baseada na sinergia, o transplante acaba por incrementar todos os outros processos do hospital, e é por eles impactado positivamente. “Em última instância, o patamar do hospital se eleva como um todo, beneficiando pacientes das mais diversas doenças cardiopulmonares e não somente aqueles que demandam transplante”, explica o Prof. Jatene.

A existência do Núcleo de Transplante (NT) no hospital, criado em 2013, contribuiu para alçar a excelência dos programas de transplante do InCor à sua máxima potência. Com suas equipes dedicadas aos transplantes de coração e de pulmão, o Núcleo reúne enfermeiros, cirurgiões, clínicos, intensivistas, psicólogos, assistentes sociais e outras especialidades, num total de mais de 50 pessoas.

O resultado é que o InCor é hoje o 7o centro que mais faz transplante de coração no mundo e o 1o no Brasil em pulmões. São cerca de 100 transplantes cardiopulmonares em média por ano, mais de 1.300, ao longo dos últimos 34 anos .

Em outra frente importante, que é a da captação de órgãos, o InCor também andou a passos largos, a partir da criação do NT. A doação de órgãos ainda está muito aquém do número de pessoas que aguardam na fila. “Por isso, não podemos perder sequer uma oportunidade de captação, esteja ela onde estiver”, diz o Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, presidente do InCor e diretor da Divisão de Cardiologia Clínica.

De ambulância, helicóptero ou voos comerciais e fretados, a equipe do InCor chega até mesmo em regiões de fronteira para captar um coração ou pulmão doado. O transplante de Enzo, cujo órgão veio de outro estado, é um exemplo dessa versatilidade que salva vidas.

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Sou um sobrevivente, graças a Deus!

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