Hiperinsuflação dinâmica e intolerância ao exercício em bronquiectasias não fibrose cística: correlação clínica, radiológica e funcional

31/07/2019 | 18:00

A HD é um dos mecanismos responsáveis pela dispneia e redução da tolerância ao exercício em pacientes com condições que levam à limitação ao fluxo expiratório, como a asma e a DPOC. Os estudos realizados em pacientes com diagnóstico de DPOC demonstraram redução progressiva da capacidade inspiratória durante teste de esforço. Pacientes asmáticos, mesmo com espirometria normal, quadro clínico estável e sem asma induzida por exercício, podem apresentar limitação ao fluxo expiratório e HD durante esforço, justificando a presença de dispneia e menor capacidade para a realização de exercícios. A limitação ao exercício é um achado frequente em pacientes com bronquiectasias não fibrose cística e a HD pode ser um dos mecanismos envolvidos. A prevalência de HD em bronquiectasias é desconhecida, assim como fatores associados à sua ocorrência. Os principais objetivos deste estudo foram avaliar a prevalência de HD e a redução de capacidade aeróbica, investigar fatores associados à sua ocorrência em bronquiectasias e analisar mecanismos responsáveis pela redução da tolerância ao exercício nessa população. Metodologia: Cento e quatorze pacientes com diagnóstico de bronquiectasias realizaram TECP, prova de função pulmonar completa, OF e TCAR. Foram avaliados CI durante o exercício e a capacidade aeróbica, além das associações entre redução de capacidade aeróbica e variação da CI durante o exercício com dados clínicos, funcionais e tomográficos, considerando a gravidade medida por diferentes escores prognósticos (FACED, E-FACED e BSI). Resultados: Em uma população com idade média de 43±15 anos, VEF1 médio 48.7±19.8 (% pred), foi encontrada uma prevalência de HD de 68,4%. Avaliado pela OF, o grupo de pacientes com HD tem pior função pulmonar, maior grau de AE e acometimento de pequenas vias aéreas. Há redução da capacidade aeróbica em parcela significativa dessa população, 78% com V’O2<84% pred, sendo que esses são mais jovens e apresentam pior função pulmonar, e a DLCO é um marcador 14 independente de redução do V’O2 pico. Pacientes com redução do V’O2 pico apresentam redução de VE e VT, menores valores de CI no repouso e no esforço e pior pontuação em todos os escores de gravidade. Não houve associação entre presença de HD e redução da capacidade aeróbica e a extensão do acometimento radiológico não se associou com presença de HD ou pior capacidade aeróbica. Conclusões: A prevalência de HD durante o TECP, em pacientes com bronquiectasias, é elevada e se associa com pior função pulmonar e maior gravidade, indicando VEF1 como principal fator associado a essa condição. Por ser uma condição complexa, a combinação de testes de função pulmonar, imagem e teste de exercício deve ser utilizada. A redução da tolerância ao exercício também é frequente nessa população, sendo importante testar intervenções terapêuticas voltadas para pacientes com HD e redução da capacidade aeróbica.

Descritores: bronquiectasia; testes de função respiratória; tomografia computadorizada por raios X; teste de esforço

Maiorano-de Nucci MCN. Hiperinsuflação dinâmica e intolerância ao exercício em bronquiectasias: correlação clínica, radiológica e funcional [tese]. São Paulo, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, 2019.

Autora: Maria Cecilia Nieves Maiorno de Nucci
Orientador: Prof. Dr. Alberto Cukier
Programa: Pneumologia
Data e local: 31 de julho de 2019, às 8h, na Farmacologia (Sala 3104) – Av. Dr. Arnaldo, 455 – 3º andar FMUSP.

 

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