Hipertensão resistente: é hora de considerar a melhor 5ª opção no tratamento medicamentoso

29/10/2018 | 10:00

* Dr . Luciano Drager

Medição de pressão
Foto: BrianAJackson / iStock

A hipertensão resistente (HR), também chamada de difícil controle, é uma condição clínica na qual não se consegue o controle adequado da pressão arterial (PA) do paciente, apesar do uso de três tipos de medicações para o combate da pressão. A prevalência de HR vem crescendo nas últimas décadas, devido, em parte, ao aumento da obesidade na população. Esse cenário de crescimento cria a necessidade de um tratamento apropriado para esse paciente.

Os dados até o momento apontam de forma clara, em linhas gerais, as três principais classes de anti-hipertensivos que devem ser prescritos no tratamento da hipertensão. São eles os diuréticos, os inibidores da enzima conversora da angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina e os bloqueadores dos canais de cálcio.

Recentemente, o melhor quarto medicamento no tratamento da HR foi explorado em dois grandes estudos clínicos. Um deles foi o estudo PATHWAY-2, que testou o efeito de uma medicação chamada espironolactona. Os autores encontraram uma maior redução da PA do que outros tratamentos que foram testados.

O estudo randomizado multicêntrico ReHOT envolveu pacientes hipertensos de todas as regiões do Brasil, comparando a espironolactona versus clonidina (outro remédio usado no controle da PA em casos difíceis de controlar). Após 12 semanas, o estudo ReHOT mostrou que o tratamento com espironolactona e clonidina resultou em controle similar da PA, conforme determinado pela medida da PA no consultório médico e na medida da PA nas 24 horas, através da Mapa (Monitorização da Pressão Arterial).

Os dados também mostraram que os pacientes que tomaram a espironolactona tiveram uma diminuição maior da PA máxima (chamada de sistólica) e da mínima (chamada de diastólica), nas 24 horas, e na PA mínima medida no consultório do que os pacientes que tomaram o outro medicamento (clonidina).

Considerando-se sua facilidade de ingestão, a espironolactona ganhou a preferência como 4a terapia medicamentosa no estudo ReHOT. No entanto, ainda não temos um tratamento ideal para os pacientes com o difícil controle.

De fato, uma proporção significativa de pacientes não atingiu o controle ideal da PA com o quarto medicamento nesses dois estudos, conforme está descrito na figura à seguir (ND: dados não disponíveis).

Hipertensão resistente

Em conclusão, as evidências atuais apontam que uma proporção significativa de pacientes com HR verdadeira está exigindo mais de quatro medicamentos para o controle da PA.

Essa afirmação é particularmente verdade se formos adotar os novos critérios propostos pela Diretrizes Americana de 2017 para o diagnóstico de HR (>130×80 mmHg). Novas combinações, drogas ou tratamentos devem ser testados com o objetivo de controlar melhor a PA. Com base nos estudos citados, torna-se premente definir a melhor 5ª opção no tratamento desses pacientes.

* Médico assistente da Unidade Clínica de Hipertensão

 


Referência Bibliográfica

  1. Pio-Abreu A, Drager LF. Resistant Hypertension: Time to Consider the Best Fifth Anti-Hypertensive Treatment. Curr Hypertens Rep. 2018;20(8):67.

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