Impacto da pericardiectomia sobre a fisiologia cardiorrespiratória de pacientes com pericardite construtiva crônica durante a vigília e sono

10/03/2017 | 14:29

Autor: Dirceu Thiago Pessoa De Melo / Orientador: Prof. Dr. Fábio Fernandes
Data e Local: 10 de março de 2017, às 14h na Farmacologia – 3º andar FMUSP

RESUMO

Melo DTP. Impacto da pericardiectomia sobre a fisiologia cardiorrespiratória de pacientes com pericardite constritiva crônica durante a vigília e sono [Tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2017.

Introdução: A pericardiectomia é o tratamento de escolha para pacientes com pericardite constritiva crônica sintomática, entretanto, o impacto do procedimento na capacidade cardiopulmonar e fisiologia cardiorrespiratória durante a vigília e sono é pouco estudado. Objetivo: Avaliar o impacto da cirurgia de pericardiectomia sobre a capacidade funcional de pacientes com pericardite constritiva crônica sintomática. Métodos: Trata-se de estudo observacional prospectivo com 25 pacientes consecutivos com diagnóstico de pericardite constritiva crônica submetida à pericardiectomia. Foram realizados os seguintes procedimentos uma semana antes e seis meses após a pericardiectomia: avaliação clínica e antropométrica, avaliação da qualidade de vida e do sono, dosagem dos níveis séricos de BNP, ecocardiograma transtorácico, teste cardiopulmonar de esforço, polissonografia noturna completa. Resultados: A idade média foi 45 anos, com predomínio do sexo masculino (76%). A etiologia foi principalmente idiopática (76%), seguida por tuberculose (12%). O ecocardiograma revelou fração de ejeção do ventrículo esquerdo preservada e dilatação de veia cava inferior (92%) na maioria dos pacientes. Todos os pacientes foram submetidos à pericardiectomia de frênico a frênico via esternotomia mediana, sem circulação extracorpórea. Após a pericardiectomia, houve redução da: classe funcional III/IV (56% vs. 8%, p<0,001), ascite (72% vs. 12%, p<0,001) e edema de membros inferiores (88% vs. 24%, p<0,001) em relação ao pré-operatório. O teste cardiopulmonar revelou melhora do VO2 pico (18,7±5,6 vs. 25,2±6,3 mL/kg/min, p<0,001), limiar anaeróbico (13,1±3 vs. 17,7±5,5 mL/kg/min, p<0,001) e velocidade na esteira rolante de 2,5 (2-2,5) para 3 (2,5-3,3) mph, p=0,001. Na análise multivariada, a idade foi o único preditor independente da variação de VO2 (r=-0,658, p=0,003). Os níveis séricos de BNP apresentaram redução significativa de 143 (83,5-209,5) pg/mL para 76 (40-117,5) pg/mL, p=0,011. A 23 polissonografia noturna completa no pré-operatório demonstrou a presença de apneia do sono moderada/ grave (IAH≥15 eventos/hora) em 13 pacientes, com predomínio de hipopneias. Não houve mudança significativa do índice de apneia-hipopneia após a pericardiectomia: IAH pré 15,6 (8,3-31,7) vs. IAH pós 14,6 (5,75-29,9), p=0,253; entretanto, houve melhora da qualidade do sono (Pittsburgh pré 7,8±4,10 vs. Pittsburgh pós 4,7±3,7,p<0,001). O IAH apresentou correlação positiva com os níveis de BNP (r=0,418, p=0,037) e EuroSCORE (r=0,480, p=0,015) no pré-operatório. Conclusão: Pacientes com pericardite constritiva crônica sintomática apresentaram, seis meses após a cirurgia de pericardiectomia, melhora da capacidade cardiopulmonar, da classe funcional e da qualidade de vida. A apneia do sono se mostrou frequente e apresentou correlação com níveis séricos de BNP e EuroSCORE no pré-operatório. O índice de apneiahipopneia não apresentou mudanças significativas após a pericardiectomia. A despeito disso, houve melhora da qualidade do sono.

Descritores: pericardite constritiva; pericardiectomia; insuficiência cardíaca; tolerância ao exercício; peptídeo natriurético tipo B; apneia do sono; polissonografia.

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