Infarto e parada cardíaca: entendendo a diferença

O infarto do miocárdio e a parada cardíaca são quadros clínicos diferentes. Mas eles podem ter uma relação de causa e efeito

01/10/2018 | 07:15

Ataque cardíaco
Foto: Suze777 / iStock

O infarto ocorre em geral quando um coágulo bloqueia uma das artérias do coração, chamadas de coronárias, impedindo que o sangue alimente de oxigênio e nutrientes o músculo cardíaco, ou miocárdio. Geralmente isso acontece porque o interior da artéria que foi obstruída estava estreitado por uma placa de gordura, ou ateroma, fixado em sua parede e que se rompeu, explica o Dr. Múcio Tavares, diretor da Unidade Clínica de Emergência Referenciada do InCor. Quando acontece esse rompimento, o organismo corre para reparar o local, formando trombos sanguíneos na região. “Ao final, o reparo acaba funcionamento como um tampão na artéria”, explica o cardiologista.

O músculo cardíaco aguenta no máximo 3 minutos sem suprimento de sangue, depois do que ele começa progressivamente a morrer, da camada mais interna para a externa, diminuindo, minuto a minuto, a chance de sobrevida ao infarto. Nesse processo de morte do músculo cardíaco, pode acontecer o comprometimento da rede elétrica do coração que fica infiltrada no miocárdio. É nesse momento que pode acontecer uma parada cardíaca.

Num coração sadio, os batimentos cardíacos acontecem de forma ritmada e contínua. A contração e a distensão do músculo faz com que o coração bombeie o sangue do organismo para ser oxigenado nos pulmões e destes para todo o corpo. A rede elétrica do coração é a responsável por orquestrar esse movimento.

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Quando ocorre algum comprometimento no músculo, como no infarto, essa rede elétrica é danificada. Seu ritmo antes harmônico passa a ser descompassado e, algumas vezes, caótico. É como se ocorresse uma pane no ritmo cardíaco, e o coração ou para ou entra numa arritmia grave, um fibrilar intenso, que compromete a sua eficiência em bombear o sangue para o organismo. Sem suprimento de sangue, todos os órgãos e, particularmente, o cérebro entram em colapso, levando à morte em poucos minutos.

Entre as possíveis causas de parada cardíaca se incluem, além do infarto do miocárdio, a insuficiência cardíaca, a emergência de um coágulo nos pulmões, um desequilíbrio eletrolítico, de potássio ou magnésio, entre outros minerais no sangue que estão ligados ao funcionamento da rede elétrica cardíaca. Ela pode ser decorrência, ainda, de um choque, um trauma, como um golpe no peito ou uma overdose de drogas que colapsa o sistema elétrico do coração.

Massagem e choque com desfibrilador

O procedimento de ressuscitação é o protocolo de atendimento das paradas cardíacas. Seu propósito é restabelecer o ritmo cardíaco, de maneira que o sangue volte a circular. Ele inclui massagem torácica, para restabelecer a circulação do sangue até que o ritmo cardíaco seja normalizado, por meio da aplicação de um choque elétrico provocado por um equipamento chamado desfibrilador

“Em um ambiente hospitalar, que tem disponível o desfibrilador, a primeira medida para ressuscitação é aplicar o choque”, diz Múcio Tavares. “E depois fazer a massagem e bem depois o procedimento de ventilação. Se a parada cardíaca acontece fora de um ambiente hospitalar, deve-se chamar por ajuda e iniciar imediatamente as compressões torácicas”

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“O choque do desfibrilador despolariza todo o músculo cardíaco, como se déssemos um reset no coração, e com isso sua atividade elétrica se reorganiza”, explica o cardiologista. A urgência do atendimento na parada cardíaca é crucial por ser um evento que pode levar à morte. A cada minuto de parada não atendida, se perde 10% da chance de sobrevida.

Ataque do coração ou indisposição estomacal?

O sintoma de dor aguda no peito também pode ser decorrente de angina instável, condição em que artérias coronárias parcialmente obstruídas por placas de arteroma diminuem o suprimento de sangue para o músculo cardíaco. Com pouco nutrientes e oxigênio, o músculo sofre, provocando dor. Se a angina for continuada, ela pode levar o miocardio progressivamente a morrer, mesmo que não tenha acontecido a oclusão total da artéria pelo infarto. “O organismo entende que esse músculo continuamente pouco oxigenado não é necessário e começa a, digamos, ‘desligá-lo’”, explica o Dr. Múcio.

Às vezes pode acontecer de a dor no peito ser o reflexo de outras condições de saúde menos graves. Por exemplo, uma azia forte em que o ácido estomacal volta para o esôfago causando queimação, pode provocar dor nessa região que irradia para o peito também. Bronquite, asma, pneumonia, dor muscular, ou óssea, também podem ter relação com essa dor.

Em qualquer situação, a dor no peito deve ser investigada. “O melhor a fazer é procurar um hospital o mais rápido possível”, recomenda o chefe da emergência do InCor.

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