Jejum intermitente: impacto na saúde

04/09/2018 | 10:00

*Anna Carolina Di Creddo Alves

jejum intermitente
Foto: a_namenko / iStock

Mais da metade da população brasileira está com o peso acima do recomendado. Cerca de 19% deles estão obesos e 31%, com sobrepeso. Como tratamento específico da obesidade e suas comorbidades, existem as dietas, nos seus variados tipos e composições. A mídia tem divulgado dietas, denominadas dietas da moda, das quais podemos citar a Dieta Dukan, Low Carb e a dieta de South Beach. O jejum intermitente tem assumido papel importante como estratégia para redução do peso e tratamento da obesidade, com o objetivo de promover a perda de peso, melhorar a composição corporal e reduzir o risco das comorbidades associadas.

Existem três tipos de protocolo: jejum em dias alternados (alternative day fasting), alimentação por tempo restrito (time-restricted feeding) e o dia todo em jejum (whole-day fasts). O jejum em dias alternados é caracterizado pelo consumo de alimentos à vontade seguido do consumo de 25% do VCT (valor calórico total) da dieta. A alimentação por tempo restrito é descrita por períodos de 16 a 20 horas de jejum, seguidos de 4 a 8 horas de alimentação à vontade. Já o dia todo em jejum é caracterizado pelo consumo de alimentos à vontade, por três a quatro dias, seguido de um período opcional de 24h de jejum. Como seguimento desse protocolo, o comer à vontade continua por mais 2 dias, seguido de um período de 24h de jejum.

Mesmo com resultados positivos, a literatura alerta sobre os riscos e consequências do jejum intermitente. O organismo desencadeia mecanismos de ação e respostas adaptativas aos longos períodos de jejum, que reduzem em 20% os níveis de glicose sanguínea, depletando o glicogênio hepático. A lipólise eleva os ácidos graxos, os quais sofrem oxidação formando corpos cetônicos, levando a cetoacidose. Além disso, esse aumento de ácidos graxos eleva o triglicérides sanguíneo.

Longos períodos sem se alimentar promovem danos oxidativos e metabólicos. O organismo entra em mecanismo de autofagia, degradando organelas celulares. Essas são as hipóteses pelas quais o jejum intermitente não seria uma prática recomendada. O método eficaz e benéfico para tratar a obesidade envolve uma dieta equilibrada e saudável, com o fracionamento das refeições, sem longos períodos em jejum. Isso promove maior saciedade, reduz episódios de compulsão alimentar, melhora o controle glicêmico, reduz a produção do cortisol, o qual contribui para a redução do peso e também promove saúde cardiovascular.

*Nutricionista do Serviço de Nutrição e Dietética.

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