Mantendo a função pulmonar no inverno

Um quadro viral é destrutivo para os pacientes de DPOC, que já tem parte dos pulmões obstruídos pela inflamação que caracteriza a doença

27/07/2018 | 08:53

senhor idoso com dores
Foto: SIphotography / iStock

Todo o ano, mais ou menos 50 mil pessoas no Brasil são internadas e morrem por causa de complicações da DPOC – a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, que reduz a capacidade respiratória. Um número muito maior de óbitos acontece nos meses de inverno, quando aumenta a circulação dos vírus de infecções por conta do ar mais frio, do tempo seco e do aumento da poluição.

Um quadro viral é destrutivo para os pacientes de DPOC, que já tem parte dos pulmões obstruídos pela inflamação que caracteriza a doença, afirma o pneumologista Rafael Stelmach, do InCor, especialista em doenças do aparelho respiratório. “A pessoa acaba indo parar no hospital com dificuldade respiratória, nessa época do ano”.

No Brasil, 16% da população acima de 45 anos teriam DPOC, segundo estudos que utilizam o exame de função pulmonar em pessoas expostos direta ou indiretamente à fumaça e/ou poluição, principais fatores de risco. Chamado de espirometria, o exame da função pulmonar mede a capacidade respiratória do indivíduo e é considerado padrão ouro para o diagnóstico da DPOC.

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O que acontece com o pulmão

Para dar ideia do processo inflamatório, Rafael Stelmach, sugere imaginar o pulmão como um conjunto de cachos de uva lado a lado, em que cada fruta é um alvéolo. Pela casca da uva, que é a superfície do alvéolo, passam vasos de sangue que irrigam as unidades. E o interior é oco, ocupado por ar. A inflamação causada pela doença destrói essa arquitetura podendo levar ao enfisema, quando a casca fica muita fina, passiveil de rasgar, com uma grande quantidade de ar presa no interior.

A parte do pulmão afetada pelo enfisema se deforma em uma massa de alvéolos dilatados e inertes. “Ficam como bexigas moles, de fim de festa de criança”, descreve Stelmach. Porque os alvéolos perdem a elasticidade para jogar todo o ar que entrou. “Esse ar retido fica lá, nas unidades alveolares, ocupando espaço e o paciente não consegue expandir a parte do pulmão que não está desfigurada”, explica o pneumologista do InCor. Com isso, perde capacidade de respirar e de fazer atividade física.

Stelmach assinala que não usamos o pulmão inteiro, normalmente. A não ser para fazer atividade física, quando ele expande e recruta as outras áreas para oxigenar o sistema. E se, nessa hora, partes dele está destruída pelo enfisema, não há expansão.

Esse quadro se complica quando o paciente tem uma bronquite crônica, outra lesão que caracteriza o DPOC. No inverno a inflamação entope os canais que levam o ar (brônquios e bronquíolos) às unidades alveolares, o que piora o padrão respiratório. Ou, ainda, sofre um ataque de um vírus de influenza (infecções virais), por exemplo. Stelmach observa que, nos pacientes de DPOC, cada exacerbação ou crise aumenta em 10% a mortalidade. “O pulmão entra em colapso. Para de funcionar”.

Parar de fumar

A cessação do tabagismo é absolutamente essencial para melhorar a condição do doente. A maioria dos casos de DPOC está associada com o cigarro. Existem casos, também, relacionados com o uso do fogão a lenha, uma prática ainda comum nas zonas rurais do país. E não são raros os sujeitos que contraíram DPOC em atividades ocupacionais, por trabalhar no passado como soldador em metalúrgicas, por exemplo, ou em fornos de siderurgias onde a exposição à fumaça é um fator de risco.

O tratamento é paliativo. Não consegue mudar a estrutura danificada do pulmão. Não recupera a capacidade pulmonar anterior, mas atenua a piora da doença, Como explica Stelmach, a combinação de atividade física para reabilitação pulmonar com medicações reduzem os sintomas. E melhoram a qualidade de vida do paciente.

O pneumologista chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce na prevenção da DPOC. Detectar a doença o quanto antes evita que chegue ao ponto em que a pessoa tem dificuldade para andar por causa do cansaço. “Porque, nesse ponto, ela já perdeu parte da função pulmonar e recuperá-la é mais difícil.”

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