O estresse que pode atacar o coração e até matar

Precisamos do estresse para enfrentar desafios ou fugir de perigos. O problema é quando ele se torna crônico. É este que pode matar

27/12/2017 | 07:45

Stress e trabalho
Foto: ESB Professional / Shutterstock

As pessoas não tem noção de que o estresse faz parte da vida, como uma reação natural, fisiológica, do organismo. Pensam que ficar estressado é algo que se pega de repente, por conta de uma notícia ruim, um evento trágico. O cardiologista Carlos Alberto Pastore, diretor da Unidade de Eletrocardiografia de Repouso do InCor, faz tais observações para explicar que precisamos do estresse para enfrentar desafios ou fugir de perigos. O problema é quando ele se torna crônico. É este que pode matar.

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A reação estressante que nos estimula a enfrentar desafios — a trabalhar ás vezes em um ritmo mais pesado para entregar um projeto, ou a varar a noite estudando para uma prova difícil, no dia seguinte –, é normal e nosso corpo está preparado para isso. “Usamos até esta imagem da luta ou fuga para exemplificar uma situação de estresse, em que é preciso decidir em pouquíssimo tempo se você enfrenta, ou sai correndo. Nessa hora seu organismo libera uma carga de substâncias, como a adrenalina e o cortisol, hormônios que são produzidos na glândula suprarrenal e que elevam sua energia para que consiga reagir rapidamente ao desafio.”

O problema é o estresse que a pessoa vai acumulando no dia-a-dia, por conta de aborrecimentos no trabalho, ou com a família, ou porque a cidade onde vive é violenta e ela tem medo de ser assaltada e está sempre em estado de alerta. Uma pessoa assim passa a ter descargas de adrenalina e de cortisol a todo instante. E uma resposta fisiológica do organismo, que é para ser pontual, vira crônica. O estresse crônico potencializa outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, ao elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, bem como o nível de açúcar no sangue. Este último mexe com o metabolismo de gordura e acelera o processo de aterosclerose, facilitando o entupimento de vasos, dependendo da genética do indivíduo.

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Se essa pessoa, além disso, leva uma vida pouco saudável — não faz exercícios, não vai ao médico ou ao terapeuta e se alimenta mal ou, o que é pior, fuma demais e/ou consome mais álcool para baixar a ansiedade experimentada em um dia estressante – a bomba relógio está armada. O cardiologista sugere que se imagine um motorista andando a 80 km/h por hora e outro, a 120 km/h. Se o primeiro tiver um acidente, sofrerá provavelmente menos danos do que o segundo, que já está a 120 km/h. A situação para quem está em ritmo de estresse crônico é parecida com a do segundo motorista. Com a adrenalina mais alta: qualquer evento adverso no dia dessa pessoa pode ser suficiente para a emergência de um ataque cardíaco. E um infarto que poderia ocorrer aos 80 anos, acontece aos 40 ou 50.

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