O futuro da oncologia torácica

Para o desenvolvimento desta área seria preciso tornar os recursos atualmente existentes acessíveis a toda a população

09/01/2018 | 11:40

Paulo Pêgo Fernandes*

Foto: Shutterstock

O desenvolvimento de novas tecnologias vem melhorando o diagnóstico e o tratamento das doenças malignas do tórax. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine alguns anos atrás (Aberle et al. 2011)2, por exemplo, alterou a perspectiva de triagem dos pacientes para tratamento do câncer de pulmão a partir do uso de tomografia computadorizada. Este trabalho demonstrou que os participantes que foram submetidos a tomografia computadorizada helicoidal de baixa dose tiveram 15 a 20 por cento menor risco de morrer de câncer de pulmão do que os participantes que receberam radiografia de tórax padrão. Isso equivale a aproximadamente três mortes menos por cada 1.000 pessoas selecionadas no grupo de TC em comparação com o grupo de raios X de tórax durante um período de cerca de 7 anos de observação (17,6 por 1.000 versus 20,7 por 1.000, respectivamente)3.

Os pacientes, com idade entre 55 e 74 anos, e história de tabagismo superior a 30 maços/ano, foram submetidos a tomografia computadorizada de tórax como método de triagem, em comparação com a radiografia de tórax. A possibilidade de uma triagem mais efetiva mudou a forma de combater a doença, embora as implicações em termos de custo, eficácia do tratamento e escolha do critério adequado para seleção de doentes ainda necessite de uma análise mais minuciosa.

Os avanços na broncoscopia, a utilização da radiologia intervencionista, a ultrassonografia endobrônquica e a biopsia transtorácica guiada pela tomografia são outras tecnologias que vêm auxiliando equipes médicas a diagnosticar a natureza dos nódulos detectados nos exames de imagem. Quando o câncer é detectado no início, o tratamento cirúrgico é o mais indicado. A cirurgia minimamente invasiva e a cirurgia robótica já são uma realidade que proporcionam maior precisão e melhor recuperação ao paciente.

No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer estima que em 2016 foram diagnosticados mais de 28.000 casos de câncer de pulmão. No entanto, a maioria destes casos estavam em estágios avançados, exigindo tratamento mais complexo e mais caro. E apenas 15% desses pacientes conseguiram iniciar o tratamento dentro de 30 dias. Para o desenvolvimento desta área seria preciso tornar os recursos atualmente existentes acessíveis a toda população. Um serviço em grande escala com fácil acesso a centros especializados em câncer em todo pais mudaria a maneira como vemos a progressão de nossos pacientes. A oncologia torácica brasileira terá um futuro melhor quando o intervalo entre a detecção da doença e o tratamento precoce for oferecido a população.

*Professor titular de Cirurgia Torácica e diretor da Divisão de Cirurgia Torácica da Instituto do Coração (InCor)


Referência Bibliográfica

  1. Pêgo-Fernandes, Paulo M, & Vega, Alberto J. M. Dela. (2016). The future of thoracic oncology. Revista da Associação Médica Brasileira, 62(1), 1-3. https://dx.doi.org/10.1590/1806-9282.62.01.1

  2. Aberle DR, Adams AM, Berg CD, Black WC, Clapp JD, Fagerstrom RM, et al. Reduced lung-cancer mortality with low-dose computed tomographic screening. N Engl J Med. 2011; 365(5):395-409.

  3. https://www.cancer.gov/types/lung/research/nlst

     

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