Ocorrência de eventos clínicos tardios em pacientes submetidos à revascularização híbrida versus cirúrgica do miocárdio mediante a aplicação do escore SYNTAX

10/04/2019 | 18:00

A abordagem terapêutica da doença coronária multiarterial é possível por meio da aplicação de farmacologia dedicada em associação à revascularização miocárdica, seja por meio de intervenção coronária percutânea ou de cirurgia. Visando a reduzir os maiores limitantes destas duas estratégias, surge como alternativa o procedimento de revascularização híbrida, que objetiva combinar o que cada uma das técnicas tradicionais mais oferece em relação a benefícios para os pacientes.

Objetivos: Avaliar a segurança e a eficácia da revascularização híbrida quando comparada à cirurgia convencional por meio da aferição da ocorrência da taxa de eventos cardiovasculares adversos compostos, como mortalidade global, infarto agudo do miocárdio, revascularização não programada e acidente vascular cerebral ao término de dois anos de acompanhamento clínico.

Metodologia: Estudo piloto, prospectivo, unicêntrico e randomizado, que visa à inclusão de 60 pacientes, na proporção 2:1 para revascularização miocárdica híbrida ou convencional. Anatomicamente, os pacientes devem exibir acometimento coronariano triarterial e escore SYNTAX de valor intermediário a alto (>22), além de consenso do time cardíaco de que ambas as estratégias, cirúrgica ou percutânea, sejam viáveis para o tratamento.

Resultados: Entre agosto de 2014 e outubro de 2018 foram incluídos 60 pacientes no estudo, sendo 40 no grupo híbrido e 20, no grupo controle, com período de acompanhamento clínico médio de 802 ± 500 dias. As características clínicas e demográficas da população foram semelhantes entre os grupos. O escore SYNTAX foi de 29,0  4,3 no grupo cirurgia convencional e de 28,3  4,7 no grupo híbrido (p = 0,60). A taxa total de eventos cardiovasculares adversos ao final de dois anos foi de 19,3% no grupo híbrido e de 5,9% no grupo controle, com incidência de mortalidade global (5,0% vs. 0%), infarto agudo do miocárdio (12,5% vs. 5,9%) e revascularização não programada (14,5% vs. 5,9%), sem diferença estatisticamente significativa.

Conclusões: Nesse estudo piloto, a revascularização miocárdica híbrida mostrou-se factível porém associada a taxas crescentes de eventos cardiovasculares adversos ao longo de 2 anos de seguimento, ao passo que o grupo controle, tratado com cirurgia tradicional, mostrou-se com baixa incidência de complicações maiores no mesmo período. Esses resultados sugerem a necessidade de futuros estudos que visem otimizar e melhor avaliar o desempenho clínico da abordagem híbrida de revascularização miocárdica.

Descritores: doença da artéria coronariana; revascularização miocárdica; intervenção coronária percutânea; ensaio clínico controlado aleatório; mortalidade; revascularização não planejada.

 

Esteves VBC. Ocorrência de eventos clínicos tardios em pacientes submetidos à revascularização híbrida versus cirúrgica do miocárdio mediante a aplicação do escore SYNTAX [tese]. “São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo”; 2019.

 

Autor: Vinícius Borges Cardozo Esteves
Orientador: Prof. Dr. Pedro Alves Lemos Neto
Programa: Cardiologia
Data e local: 10 de abril de 2019, 8h, na Farmacologia (Sala 3104) – Av. Dr. Arnaldo, 455 – 3º andar FMUSP.

 

Saiba mais: Residência médica

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