Perspectivas do Transplante Pulmonar

25/10/2018 | 10:00

* Paulo Manuel Pêgo-Fernandes

Radiografia pulmão
Foto: seksan mongkhonkhamsao / iStock

O transplante pulmonar é um tratamento mundialmente aceito para algumas pneumopatias avançadas, conferindo aos receptores maior sobrevida e melhor qualidade de vida. Após o advento da ciclosporina, na década de 1980, o transplante de pulmão começou a se consolidar como alternativa real em alguns países.

Desde o primeiro transplante realizado com sucesso em 1983, mais de 61 mil transplantes já foram feitos em todo mundo, número bem inferior a outros transplantes de órgãos sólidos como fígado e rim.

O transplante de pulmão é um procedimento complexo, realizado por poucos centros no mundo. Além disso, há uma enorme dificuldade de se encontrar doadores com pulmões que preencham requisitos mínimos para sua utilização.

O transplante é indicado para pacientes com doença pulmonar avançada e em progressão, a despeito de todas as terapias clínicas e cirúrgicas, e que possuam reduzida expectativa de vida.

O InCor já realizou mais de 350 transplantes de pulmão, sendo que as principais indicações nesse centro são em pacientes com DPOC, fibrose cística, doença intersticial ou bronquiectasias. Os números atuais mostram que seu programa é comparável ao dos grandes centros norte-americanos e europeus, em número de procedimentos e taxa de sobrevida. Mais de 200 pacientes seguem sob acompanhamento, nas equipes médica e multiprofissional do InCor.

transplante_de_pulmao

O reconhecimento do padrão de excelência veio recentemente com a escolha do InCor para sediar o primeiro Programa de Capacitação em Transplante Pulmonar para o Mercosul, ocorrido em junho de 2018. Estabelecido pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS), em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde (SNT/MS), o curso teve o propósito de lançar as bases para a expansão do número de programas de transplante pulmonar, em regiões estratégicas da América Latina.

Num primeiro momento, um grupo de 19 profissionais, oriundos da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, foram escolhidos para o treinamento. No período de duas semanas, em imersão total, receberam aulas, seminários, treinamento em simulação realística e em modelos animais de transplante pulmonar.

E o resultado não poderia ser mais gratificante, como o próprio depoimento pessoal de um dos participantes, Marcos Las Heras, da Argentina: “o que mais me impressionou foi a capacidade de trabalho em equipe, a serenidade e o grau de desenvolvimento como especialistas no tema…”

*Diretor da Divisão de Cirurgia Torácica do InCor

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