Olhando atrás das paredes da traqueia

O Centro de Via Aérea usa tecnologia de ponta para ampliar a visão do médico no diagnóstico de doenças da traqueia e broncopulmonares com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos pacientes

15/12/2017 | 16:04

Foto: InCor

Porque InCor é a abreviatura de Instituto do Coração, muitos não sabem que há uma série de outras especialidades além da cardiologia, trabalhando e produzindo dentro da instituição. O Centro de Via Aérea é uma delas, que se dedica a desenvolver a cirurgia torácica, a pneumologia e a endoscopia respiratória. Foi criado em 2013 para formar especialistas, ampliar a pesquisa médica, promover a produção de tecnologia de ponta e melhorar o atendimento dos pacientes com intervenções menos invasivas. “Atualmente, existem alternativas diagnósticas e terapêuticas menos invasivas que os procedimentos cirúrgicos. Através de procedimentos endoscópicos podemos abordar a via aérea (traqueia e brônquios) e o mediastino (espaço entre os pulmões) e obter as respostas que precisamos com menor grau de agressão ao organismo”, explica a Dra. Viviane Figueiredo, diretora do Serviço de Endoscopia Respiratória do InCor.

Ecobroncoscopia

Um dos procedimentos revolucionários usado no Centro de Via Aérea é o EBUS-TBNA, sigla do inglês Endobronchial Ultrasound, uma tecnologia que vai além da broncoscopia ao ampliar a visão do médico sobre o mediastino e o pulmão analisados. Em uma metáfora simples: na broncoscopia, o médico enxerga a traqueia, por exemplo, como se estivesse olhando para dentro de um túnel. O limite do que enxerga, por broncoscopia, são as paredes do túnel. Com o EBUS, ele consegue ver o que há por detrás dessas paredes, pois o equipamento produz imagem ultrassonográfica juntamente com a imagem broncoscópica. Para o médico que precisa coletar material de lesões e estruturas traqueobrônquicas, mediastinais e pulmonares em busca de diagnóstico, o recurso é inestimável. Toda essa tecnologia torna o procedimento mais seguro, rápido, preciso e bem menos invasivo. (1) 

Tratamento endoscópico de enfisema

A tecnologia de ponta usada na endoscopia respiratória pelo Centro de Via Aérea melhorou a vida de quem tem enfisema pulmonar. Uma das formas de tratamento do enfisema, para um grupo específico de pacientes, é a broncoscopia com implantação brônquica de válvulas unidirecionais. A válvula extrai o ar da região do pulmão que está insuflada por causa do enfisema e impede que o ar retorne a essas regiões alteradas pela doença. Esvazia-se a área doente para que o resto do pulmão ocupe esse espaço e possa realizar melhor a troca gasosa. Com isso, o paciente passa a respirar melhor e ganha muito mais qualidade de vida. (2)

Tratamento endoscópico de asma

Uma nova tecnologia chamada “Termoplastia Brônquica” foi recentemente incorporada ao tratamento em casos de asma nos quais a terapia com medicações não estavam obtendo o controle dos sintomas. O procedimento consiste na aplicação de energia térmica no interior dos brônquios através de broncoscopia e em regime ambulatorial (não é necessária a internação). Os resultados mostraram melhora na qualidade de vida e no controle das crises de asma em grupo de pacientes específicos. (3)

Doenças da Traqueia e Brônquios

O Centro de Via Aérea é hoje em um centro de referência nacional e de renome internacional em doenças da traqueia e brônquios. Tem equipe multidisciplinar, que inclui cirurgiões, broncoscopistas, pneumologistas, fonoaudiólogos, fisioterapêutas e equipe paramédica, recebendo pacientes de vários estados do Brasil. Muitos desses pacientes são jovens com sequelas em traqueia e brônquicos por acidente automobilístico, que necessitam de acompanhamento e abordagem multidisciplinar. Além da assistência aos pacientes, a equipe de profissionais desenvolve novas técnicas, treina profissionais e tem promovido pesquisas com captação recursos de entidades de pesquisa (4) (5).

Tumores

A remoção de tumores também foi aprimorada com o desenvolvimento de novos equipamentos, propiciando procedimentos endoscópicos menos invasivos. Atualmente, em alguns casos, é possível a retirada de tumores benignos nas intervenções por broncoscopia em aproximadamente 20 minutos. De maneira simplificada e através de endoscópios flexíveis ou rígidos, pode-se ressecar os tumores e cauterizar a área tratada. No entanto, tumores malignos devem ser abordados caso a caso, estudando todas as abordagens disponíveis (cirúrgicas, broncoscópicas, radioterápicas e com medicamentos), objetivando a cura ou a melhora dos sintomas do paciente com aumento da sobrevida.


Referência Bibliográfica

  1. Figueiredo VR, Jacomelli M, Rodrigues AJ, Canzian M, Cardoso PF, Jatene FB. Current status and clinical applicability of endobronchial ultrasound-guided transbronchial needle aspiration. Jornal brasileiro de pneumologia. 2013;39(2):226-37.

  2. Cardoso PFG, Rubin AS, Figueiredo VR, Jatene FB. Tratamento Endoscópico do Enfisema. Pneumol Paulista. 2010;23(9):6-11.

  3. Rubin AS, Cardoso PF. Bronchial thermoplasty in asthma. Jornal brasileiro de pneumologia : publicacao oficial da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisilogia. 2010;36(4):506-12.

  4. Bibas BJ, Terra RM, Oliveira Junior AL, Tamagno MF, Minamoto H, Cardoso PF, et al. Predictors for postoperative complications after tracheal resection. The Annals of thoracic surgery. 2014;98(1):277-82.

  5. Bibas BJ, Guerreiro Cardoso PF, Minamoto H, Eloy-Pereira LP, Tamagno MF, Terra RM, et al. Surgical Management of Benign Acquired Tracheoesophageal Fistulas: A Ten-Year Experience. Ann Thorac Surg. 2016;102(4):1081-7.

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