Porque utilizar pontes de dupla mamária na cirurgia dos pacientes diabéticos

Benefícios se relacionam com maior permeabilidade da artéria mamária em relação às pontes de veia safena

04/01/2018 | 17:20

Omar Mejia*

Foto: InCor – Instituto do Coração – HCFMUSP.

O uso das pontes com artérias mamárias na cirurgia de revascularização miocárdica (conhecida como ponte de safena) melhorou consideravelmente a qualidade dessa operação, inclusive em diabéticos, confirma estudo recente1. Essas cirurgias são indicadas em pacientes portadores de doença das artérias coronárias (entupimento das artérias do coração), que é a primeira causa de morbidade e mortalidade em diabéticos. A literatura mostra que pacientes diabéticos evoluem melhor com cirurgia do que com angioplastia quando o procedimento de revascularização é indicado.

Uma das razões que fazem da cirurgia uma opção melhor do que a angioplastia é a ponte feita com artéria mamária esquerda para a principal artéria do coração (artéria descendente anterior). Os benefícios dessa técnica em longo prazo (mais de 5 anos) estão relacionados com maior perviedade da artéria mamária em relação às pontes de veia safena. Estudos mostraram ainda mais, que a utilização das duas artérias mamárias é melhor que uma única mamária, com benefícios demonstrados de mais de 8 anos.

Por muito tempo se acreditou que o tempo cirúrgico maior e o risco aumentado de infecção profunda no local da cirurgia limitariam sua adesão em diabéticos. As evidências atuais, no entanto, mostram que os benefícios podem ser maiores e que 30 minutos a mais na cirurgia podem significar 30 anos a mais na qualidade de vida do paciente. Com base nisso, as sociedades internacionais têm orientado que pacientes com mais70 anos e controle glicêmico adequado, medido através da hemoglobina glicosilada <7%, salvo certas exceções, sejam preferencialmente revascularizados com as duas artérias mamárias.

Um editorial publicado pelo Prof. Fabio Jatene et al2, em uma das maiores revistas internacionais, reconhece que, mesmo em pacientes diabéticos que fazem uso de insulina, as vantagens da utilização da dupla mamária são maiores em longo prazo. Isso fica mais evidente diante do aumento do número de pacientes jovens com doença das artérias coronárias e o crescimento da expectativa de vida dessa população nos países em desenvolvimento.

Tais constatações vêm repercutindo na nossa prática cirúrgica local. Embora o registro americano de cirurgias cardíacas ainda mostre 4,4% de utilização da dupla mamária, o Registro Paulista de Cirurgia Cardiovascular (Repliccar), coordenado pelo Dr. Omar Mejía, do InCor, mostra que > 12% dos pacientes já estão sendo beneficiados com pontes de dupla mamária no Estado de São Paulo.

*Médico assistente da Unidade Cirúrgica de Coronariopatias.


Referência Bibliográfica

  1. Mejía O.A., Lisboa L.A., Dallan L.A., Jatene F.B. Bilateral Internal Thoracic Artery and Optimal Revascularization Strategy in Insulin-Dependent Diabetic Patients. Braz J Cardiovasc Surg. 2015 Sep-Oct; 30(5): III-IV.

  2. Jatene F.B., Kolh P. Bilateral internal thoracic artery grafts for myocardial revascularization in insulin-dependent diabetic patients: time for wide clinical practice? Eur J Cardiothorac Surg. 2015;48(1):121-2.

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