Preservando o coração da agressão do infarto

Nova abordagem da hipotermia terapêutica, pesquisada no InCor, busca estender seus benéficos para o próprio músculo cardíaco

06/12/2017 | 08:43

Sergio Timerman*

Simulação coração humano
Foto: StockSnap / Pixabay

O infarto agudo do miocárdio é uma situação dramática. Nos casos mais graves metade dos pacientes morrem antes de chegar ao hospital. E mesmo os que chegam a um serviço de saúde, se não são tratados de forma rápida e adequada, podem apresentar altos níveis de mortalidade ou ficar com sequelas que diminuem a qualidade e expectativa de vida. Neste cenário sombrio a técnica de esfriamento conhecida como hipotermia terapêutica tem sido uma grande aliada dos pacientes.

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Sistema de gerenciamento de temperatura Endovascular O Instituto do Coração (InCor) é pioneiro no procedimento na vigência do infarto agudo do miocárdio e líder mundial em pacientes tratados até hoje, cerca de 30 indivíduos, um número duas vezes maior do que os apresentados por experientes centros europeus. E está participando de uma pesquisa internacional que envolve uma nova abordagem do procedimento. Ela será aplicada não apenas após a parada cardíaca, mas durante o infarto com o objetivo de reduzir o tamanho da cicatriz cardíaca pós-infarto.

Sabemos que, dependendo do tamanho, a cicatriz no coração leva à falta de ar, pernas inchadas, fadiga crônica, entre outros sintomas, inclusive arritmia, além de internações frequentes. Já se sabia, também que as vítimas de infarto do miocárdio que evoluem com parada cardíaca se beneficiam da hipotermia terapêutica, que vem a ser o resfriamento do corpo até 32oC, ou menos, para proteger as células cerebrais da privação de oxigênio e, dessa forma, reduzir a mortalidade e o nível de sequelas dos que sobrevivem ao infarto. Tanto que a Sociedade Brasileira de Cardiologia passou a recomendar o procedimento, por meio da Diretriz de Emergências Cardiovasculares e Ressuscitação e ele já é realizado em hospitais e centros de saúde do país.

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Preservando o músculo cardíaco

A nova abordagem que será pesquisada e vem sendo proposta em vários centros de excelência dos Estados Unidos e da Europa, além do Brasil, pretende estender os efeitos benéficos da hipotermia terapêutica para o próprio músculo cardíaco, durante a ocorrência do infarto do miocárdio. Antes de apresentar uma eventual parada cardíaca e de ser submetido ao tratamento através de cateterismo e angioplastia com implante de stent nas artérias coronárias, o paciente tem o corpo resfriado e é mantido acordado. As células, que ficam atordoadas ao redor do foco do infarto e morreriam após algumas horas, são preservadas durante mais tempo, o que ajuda o coração a passar pela hemodinâmica. Ela abre a artéria que está fechada pelo infarto, e a cicatrização é bem melhor, evitando coração fraco, ou insuficiência cardíaca.

* Cardiologista do Laboratório de Treinamento e Simulação em Emergências Cardiovasculares.

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