Referência em transplante de pulmão e tratamento de traqueia

O centro de cirurgia torácica do InCor realizou 40 transplantes de pulmão em 2016 — 80% dos procedimentos no SUS

12/12/2017 | 11:19

Foto: Shutterstock

Existem apenas mais três centros de cirurgia de tórax no País que fazem transplante de pulmão com regularidade e um deles é o do InCor. Segundo o diretor da Divisão de Cirurgia Torácica do Instituto do Coração, Paulo Pêgo Fernandes, o centro fez quase metade dos transplantes realizados no Brasil inteiro. Os resultados dos transplantes de pulmão são considerados muito bons . De acordo com o cirurgião do InCor, conferem ao paciente em torno de 90% a 92% de sobrevida ao final de um ano. O percentual é comparável com o dos melhores centros internacionais.

O paciente de transplante de pulmão é portador de doença grave. O órgão, em geral, não funciona mais, e ele tem uma qualidade de vida muito ruim, além de uma expectativa de sobrevivência inferior a dois anos se não fizer o transplante. Entre as doenças que levam à indicação dessa cirurgia estão enfisema, fibrose de pulmão, fibrose cística e hipertensão pulmonar.

O transplante de pulmão, a exemplo da regra estabelecida para os outros tipos, está sujeito a uma lista de espera. “O cálculo no Brasil é de que exista uma demanda oculta de 1700 transplantes de pulmão por ano, atualmente”, diz Paulo Pêgo Fernandes, esclarecendo que são feitos, no máximo, 100 transplantes por ano no País. Das cirurgias de órgãos sólidos, é a que apresenta maior discrepância entre o que é feito e o que é necessário, acrescenta o cirurgião. “São poucos os centros que fazem a cirurgia porque é preciso ter uma estrutura robusta — centro cirúrgico adequado, laboratório, banco de sangue, equipe multiprofissional”. E, segundo ele, o Hospital não recebe remuneração compatível com sua complexidade.

Referência em cirurgia de traqueia

No tratamento de problemas da traqueia, entre eles, os decorrentes de sequelas por tempo prolongado de internação na UTI, o InCor é a principal referência na América Latina. A demanda por tratamento de traqueia chega a níveis, hoje, de uma epidemia, lembra o cirurgião do InCor. Devido ao grande número de acidentes e da violência que acaba em muitos feridos graves. A maioria dos pacientes de UTI é de jovens, internados com trauma de crânio, ou ferimento de bala, faca, afirma Paulo Pêgo.

A estatística dá conta de 100 mil acidentes com morte por ano, de jovens. Os que sofrem trauma devem chegar a 500 mil, segundo ele. É essa a proporção, ele diz, fazendo algumas contas.  Os pacientes submetidos a intubação ou trasqueotomia podem desenvolver estenose na traqueia. “Temos grande desenvolvimento de próteses de traqueia, dilatação e de cirurgias abertas de traqueia para atender a esses casos. Somos um grande centro de atendimento e também de pesquisa de tratamento de traqueia. Esses pacientes não conseguem respirar direito, por causa da estenose, que é uma obstrução do órgão.”

Outros Tratamentos cirúrgicos

A cirurgia de tórax trata, ainda, de doenças como o câncer de pulmão,  tumores do mediastino, de pleura, tumores de parede torácica e deformidades congênitas de parede torácica. Por exemplo, pessoas que nascem com o pectus carinato, ou peito de pombo como é conhecido, ou têm o peito para dentro, pectus escavatus. São poucos os centros de cirurgia torácica no Brasil, daí a concentração desses procedimentos no InCor, que é referência na área.

Os pacientes com câncer são atendidos no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), também pertencente ao complexo de ensino e pesquisa do Hospital das Clínicas (HCFMUSP). Além do câncer de pulmão e de mediastino, os tumores também podem ocorrer mais raramente na pleura e na traqueia.

A pleura pode apresentar complicações como o pneumotórax, que é o vazamento de ar para a pleura, ou hemotórax, que é o vazamento de sangue ou de pus, que é o empiema. Outros eventos podem levar a complicações da pleura, como fratura de costela, acidente com tiro ou faca. Pneumonias podem levar a infecção da pleura. Essa variedade e abrangência da área de cirurgia torácica tornou a Divisão de Cirurgia Torácica do InCor o maior centro formador de cirurgiões de tórax do País.

Atuação em Pesquisa

A atividade atual da equipe de pesquisadores inclui linhas de pesquisa em várias áreas. Por exemplo, com células tronco para aplicação na traqueia, em cirurgias de reconstituição. Na oncologia, com marcadores tumorais para avaliar o melhor tratamento. Na fibrose cística, o núcleo também trabalha na identificação de marcadores em parceria com as Universidades de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp) e a de Lisboa para tratar a doença e melhorar o prognóstico ou verificar a evolução dos pacientes transplantados. O avanço em pesquisas como estas em fibrose é que vem permitindo aos pacientes transplantados chegar à maturidade. Algo inimaginável pouco tempo atrás, enfatiza Paulo Pêgo Fernandes.

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