Sirtuínas, restrição calórica e sua relação com a DAC

As mulheres tendem a viver mais que os homens — cientistas estimam que entre 7 a 10 anos mais. A área do InCor que estuda doenças arteriais coronarianas (DAC) busca entender esse fenômeno

28/07/2017 | 18:05

Foto: Shutterstock

Uma das hipóteses pesquisadas foi a relação das cardiopatias com os hormônios. Investigaram, por exemplo, se os estrogênios protegiam as mulheres e eram responsáveis por fazer com que vivessem mais. Tal suspeita não se confirmou. O Professor Doutor Antonio Mansur, médico assistente da Unidade Clínica de Coronariopatia Crônica do InCor, explica que outra hipótese que poderia justificar esse fenômeno nas mulheres seria o funcionamento do seu sistema de sirtuínas.

As sirtuínas fazem parte de uma classe de enzimas que parecem associadas à regulação de processos metabólicos do corpo humano. Por exemplo, tal classe de enzimas seria responsável por retardar o aparecimento de doenças relacionadas ao envelhecimento. A partir de um mecanismo de retroalimentação, manteriam as células vivas por mais tempo. Por essa, entre outras hipóteses, viraram tema de pesquisas da área de doenças arteriais coronarianas do InCor.

De acordo com Mansur, ao longo do processo de envelhecimento, há uma questão importante a se considerar que é a dieta com restrição calórica. Ela ativa esse sistema das sirtuínas, o que poderia ter relação com a proteção de alguns mecanismos que ficam comprometidos pelo envelhecimento. “Nas mulheres, particularmente, esse processo de ativação parece se dar de forma muito mais intensa do que nos homens”.

Os pesquisadores de sua área estudaram a relação das cardiopatias com a ativação do sistema de sirtuínas, nas mulheres, comparando uma dieta de restrição calórica e o uso de um fitoesteróide, o resveratrol. A população pesquisada, de 48 indivíduos saudáveis, dos quais 24 mulheres de idade entre 55 e 65 anos, foi dividida ao acaso em um grupo que consumiu uma dieta de 1000 calorias por dia, durante 30 dias e outro que recebeu 500mg de resveratrol.

A dieta, baseada no consumo de verduras e frutas, poucas calorias de carboidrato e proteínas, foi controlada para não gerar déficit de vitaminas e nem sais minerais. O resveratrol em comprimidos, mas que pode ser encontrado in natura nas cascas da uva e, consequentemente, no vinho tinto, foi administrado com o objetivo de avaliar qual influência poderia exercer sobre o sistema de sirtuínas de homens e mulheres.

As duas intervenções, segundo Mansur, aumentaram muito os níveis de sirtuinas. Mas elas promovem um benefício a longo prazo? Essa é uma dúvida que estamos começando a estudar, agora”, disse o pesquisador, lembrando que há outros compostos que podem ter relação com a ativação das sirtuínas, entre eles o café , o qual será pesquisa pela área, posteriormente.

Enquanto investem nesses esforços de pesquisa, os especialistas da área de doenças arteriais coronarianas do InCor alertam para a importância da atenção à prevenção primária das doenças arteriais coroanarianas. O hábito de alimentação menos calórica, o controle do tabagismo e a prática de atividade física regular são aspectos fundamentais para o controle da DAC. Embora os estudos avancem o conhecimento sobre a doença, cabe à população evitar a sua manifestação, observa Mansur, acrescentando que “a prevenção não deve começar no consultório médico”.

Dieta Mediterrânea pode ajudar na prevenção das doenças coronarianas

Os hábitos alimentares e de vida dos povos do mediterrâneo, que não é sedentário, mas ativo e mais magro, podem ser benéficos para o controle e prevenção das doenças coronarianas. Embora falte comprovação científica, é fato que os índices de doenças cardiovasculares na região mediterrânea são menores do que em outros lugares do mundo. Como é verdade que vida sedentária e obesidade são fatores de risco para as DACs.

Caracterizada por consumo menor de calorias (geralmente entre 1.500 e 1.800), a dieta mediterrânea substitui as carnes vermelhas por frango e peixe. São bem vindos também o vinho, as frutas e os vegetais e as gorduras boas, como azeite e castanhas de amêndoas e de caju.

Bastante indicada para diabéticos, a alimentação do mediterrâneo valoriza ainda a ingestão de frutas, que entram no lugar dos doces e sobremesas. São preferidos também os laticínios magros (iogurte, leite e queijos branco e ricota) e os grãos integrais.


Referência Bibliográfica

  1. Mansur, Antonio P. et al. Serum concentrations and gene expression of sirtuin 1 in healthy and slightly overweight subjects after caloric restriction or resveratrol supplementation: A randomized trial. International Journal of Cardiology, Volume 227 , 788 – 794, 2017.

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