Utilidade dos diferentes padrões de descenso noturno da pressão arterial no rastreamento da apneia obstrutiva do sono

12/07/2019 | 18:00

O uso da monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) é uma ferramenta útil para auxílio no diagnóstico, tratamento e prognóstico de pacientes, destacadamente no contexto da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Alterações no descenso noturno (DN) da pressão arterial (PA) têm sido associados com maior lesão de órgãos-alvo e pior prognóstico. Entre os fatores que potencialmente podem influenciar o DN, destaca-se a apneia obstrutiva do sono (AOS). Em pacientes com AOS, alterações do DN da PA são mais comuns do que em pacientes sem AOS. No entanto, não está claro se os diferentes padrões de alteração do DN são bons preditores para a presença da AOS em uma população de pacientes com indicação de realizarem a MAPA. Métodos: Durante o período de um ano foram recrutados de forma consecutiva pacientes adultos com indicação de realizarem a MAPA na Unidade de Hipertensão do Instituto do Coração. Foram excluídos trabalhadores noturnos. Na análise da MAPA, a variação da PA entre os períodos de vigília e sono foi expressa em valores percentuais (média da pressão da vigília – média da pressão do sono/média da pressão da vigília x 100). Seguindo a classificação do comportamento da PA entre os períodos de vigília e sono, foram adotados os seguintes critérios de DN: 1) DN normal (fisiológico): ≥10 e <20%; 2) DN atenuado: ≥0 e <10%; 3) DN ausente ou reverso da PA: ≤0%; 4) DN acentuado: ≥20%. No dia seguinte, os pacientes retornavam ao setor de MAPA para a retirada do aparelho sendo orientados a instalarem a monitorização portátil do sono em domicílio. A AOS foi definida por um índice de apneia-hipopneia (IAH) ≥15 eventos/hora. Todos os pacientes foram submetidos a uma avaliação clínica que incluiu a coleta de dados antropométricos, PA e frequência cardíaca. Além disto, todos os pacientes foram avaliados com relação à presença de comorbidades, presença de ronco, além de preencherem os questionários de Berlim e o escore NoSAS para a caracterização em alto ou baixo risco de AOS. Tanto a MAPA quanto a monitorização do sono foram avaliados por diferentes pesquisadores sem o conhecimento dos outros dados. Inicialmente, foi avaliada a frequência da AOS de acordo com o tipo de DN encontrado. Posteriormente, avaliou-se a razão de chances (odds) para a presença da AOS de acordo com os padrões de DN, considerando modelos de ajuste para as principais variáveis de confusão. Por fim, avaliou-se se a presença subjetiva de ronco, o alto risco no questionário de Berlim e o alto risco no escore NoSAS agregava valor em relação ao padrão de DN associado com a AOS. Resultados: Foram avaliados 153 pacientes (frequência de AOS: 50,3%). Os pacientes com AOS tinham maiores níveis de PA durante o sono, estavam tomando mais anti-hipertensivos e mais frequentemente usavam drogas anti-hipertensivas durante a noite do que os pacientes sem AOS. Considerando a PA sistólica, a frequência de AOS em pacientes com DN ausente (73,5%) foi maior que em pacientes com DN normal (37,3%), DN acentuado (46,2%) e DN atenuado (49,1%; P=0,012). Para a PA diastólica, a AOS foi mais comum em DN atenuado (66,7%) e DN ausente (69,6%) do que em pacientes com DN presente (41,4%) ou DN acentuado (33,3%; P=0,007). Na análise de regressão, o padrão de DN ausente da PAS foi independentemente associado à AOS (odds ratio, 3,92; IC 95%, 1,31-11,78). Tanto o DN atenuado quanto o DN ausente da PAD aumentaram a probabilidade de AOS em 2,7 e 3,5 vezes, respectivamente. A presença subjetiva do ronco e o alto risco para os questionários de rastreamento da AOS foram associados a um discreto aumento na acurácia do DN reverso para predizer a AOS. Conclusões: Em pacientes com indicação de realizarem a MAPA, o padrão de DN ausente da PA sistólica bem como os padrões de DN atenuado e ausente da PA diastólica foram independentemente associados à presença da AOS.

 

Descritores: acurácia dos dados; síndromes de apneia do sono; diagnóstico; pressão arterial; monitorização ambulatorial da pressão arterial.

Genta-Pereira DC. Utilidade dos diferentes padrões de descenso noturno da pressão arterial no rastreamento da apneia obstrutiva do sono [tese]. São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 2019.

Autor: Daniel Castanho Genta Pereira
Orientador: Prof. Dr. Luciano Ferreira Drager
Programa: Cardiologia
Data e local: 12 de julho de 2019, às 8h, na Farmacologia (Sala 3104) – Av. Dr. Arnaldo, 455 – 3º andar FMUSP.

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