Vacilar com a higiene bucal pode adoecer o coração

Infecção em dente ou gengiva é um risco à saúde de qualquer pessoa e pode ser fatal para pacientes cardiopatas!

26/11/2018 | 21:34

Homem escovando os dentes
Foto: Wavebreakmedia / iStock

Pessoas com problemas cardíacos, principalmente, com doença nas artérias coronárias ou nas valvas cardíacas, não devem vacilar com a higiene bucal. Uma inflamação gengival ou um dente com canal infectado pode ter consequências graves, até fatais, se bactérias da boca conseguirem migrar para a corrente sanguínea e se instalarem no coração, explica o diretor da Unidade de Odontologia do InCor, Dr. Ricardo Simões Neves. Elas podem produzir, por exemplo, endocardite infecciosa nas valvas e cavidades do coração ou aumentar a chance de infarto agudo miocárdio.

Nossa boca está normalmente colonizada por uma microbiota variada e numerosa de bactérias, diz Neves. “Isso não causa problema, enquanto esses micro-organismos permanecerem na boca, região a que pertencem”.

Se a pessoa não escovar os dentes ou passar fio dental após cada refeição, sua higiene bucal será precária, propiciando a proliferação dessas bactérias. Primeiro, formam-se os cálculos (tártaros), que seria o “endurecimento” da placa bacteriana (biofilme dental), inflamando as gengivas em um processo gradativo e agravante, causando as doenças periodontais. Ao mesmo tempo há produção de enzimas que amolecem e destroem os tecidos dos dentes, causando as cáries dentárias que acabam por contaminar os canais das raízes dentárias, disseminando a infecção para a corrente sanguínea.

Essas doenças bucais abrem caminho, através das gengivas ou canais dos dentes doentes, para que bactérias do grupo Streptococcus viridans, que vivem habitualmente na cavidade bucal, entrem na corrente sanguínea e devido à sua capacidade de adesão, ao encontrar má formações das valvas ou tecido valvar danificado, se instalem e infectem o coração, causando endocardite infecciosa, que colocará em risco a vida de pacientes valvopatas ou de determinadas cardiopatias congênitas.

Coágulo na coronária

É conhecido que as doenças gengivais ou periodontais liberam mediadores inflamatórios, assim como ocorre na camada íntima das coronárias portadoras de placas ateroscleróticas, que atuam na desestabilização dessas placas de gordura, provocando sangramento dentro do vaso, diz Neves. Toda vez que ocorre um sangramento dentro do vaso, nosso sistema hemostático responde formando um coágulo.

“Porém, neste caso, o coágulo está no interior de uma das coronárias, que são as artérias que irrigam o músculo, o coração propriamente dito. Ele obstrui parcial ou totalmente a passagem do sangue, causando infarto agudo do miocárdio nessa área cardíaca. Isso pode impedir o coração de continuar bombeando sangue para os pulmões e demais órgãos”, ele explica, acrescentando ser esta mais uma razão para pessoas cardiopatas tratarem bem dos seus dentes.

Como realizar a correta higiene bucal

Escovas de dente
Foto: Aliseenko / iStock

A forma de higienizar dentes, gengivas e língua recomendada para evitar infecções e afastar complicações em pacientes cardíacos, é a mesma que deve ser seguida por uma pessoa sem doença. Sempre após as refeições você deve: primeiro passar o fio dental entre todos os dentes e na sequência escovar os dentes, de modo a alcançar todas as faces de cada um deles, começando pela face que fica voltada para as bochechas.

Os movimentos com a escova devem ser feitos a partir da gengiva até a ponta do dente, várias vezes no mesmo lugar, como se estivesse varrendo cada um deles. A seguir, a escovação deve passar para a face voltada para o céu da boca, depois para as superfícies mastigatórias, finalizando com a escovação da língua. O ideal é fazer os movimentos de escovação nos dentes de cada quadrante da boca de oito a dez vezes.

“A correta higiene bucal – fio dental + escovação – demora cerca de quatro minutos para ser realizada”, avalia Neves. E salienta: “O uso do fio dental é importantíssimo porque só assim é possível remover restos alimentares e parte do biofilme dental retidos em locais de difícil acesso para a escova dental.”

Durante o dia pode ser difícil essa dedicação, admite Neves, por isso a importância de “caprichar” principalmente na última escovação antes de dormir. Neves ressalta que a visita ao dentista no mínimo a cada seis meses previne doenças e a evolução se já instaladas, além de possibilitar a complementação da higiene bucal realizando uma limpeza mais profunda e detalhada pelo profissional.”

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