Valor da sonotrombólise no tratamento do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST: ensaio clínico randomizado sobre seu impacto nos índices de mecânica e função ventricular esquerda

17/07/2019 | 18:00

Estudos pré-clínicos demonstraram que a utilização de pulsos ultrassônicos com alto índice mecânico (IM), feitas por um transdutor de ultrassom diagnóstico (USD), durante a infusão de um agente de contraste de microbolhas (sonotrombólise), tem o potencial de restabelecer o fluxo coronário e restaurar a microcirculação no infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST). A fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e o strain longitudinal global (SLG) são parâmetros de avaliação da função e da mecânica ventricular e têm valores prognósticos estabelecidos no IAMCSST. Objetivo. Analisar o impacto da sonotrombólise no tratamento do IAMCSST e seu efeito sobre a mecânica e função do VE por ecocardiografia transtorácica. Métodos. Cem pacientes com primeiro IAMCSST foram prospectivamente randomizados (1/1) para o grupo Terapia, submetidos à sonotrombólise antes e depois da ICP primária ou para o grupo Controle, apenas a ICP primária. Pacientes com IAMCSST que chegaram fora da janela de randomização não foram incluídos, mas foram acompanhados e compuseram o grupo referência para acompanhamento das taxas de recanalização coronária. SLG, FEVE e remodelamento ventricular esquerdo foram avaliados por ecocardiograma transtorácico, realizado em momentos pré-determinados desde a chegada até seis meses após o infarto. A taxa de recanalização angiográfica antes da ICP primária e o tamanho do infarto medido pela ressonância magnética cardíaca (RMC), em 72h após a ICP, também foram analisados. Resultados. A média etária dos pacientes randomizados foi de 59 anos±11 anos e não houve diferença em relação ao gênero. Os tempos porta-balão não foram diferentes (78min±32 minutos para ICP apenas versus 77min±26 minutos para alto IM/ICP; p=0,42). Resumo A recanalização coronária antes da ICP ocorreu em 24/50 (48%) pacientes do grupo Terapia e em 10/50 (20%) pacientes do grupo Controle (p < , A comparação da FEVE entre os grupos Terapia e Controle foi: antes da ICP, 45,1%+10,3 vs. 41,8%+10,0 (p=0,130). Após a ICP, 48,1%+10,5 vs. 42,3%+10,4 (p=0,011). Em 72h após a ICP, 49,8%+10,8 vs. 43,8%+11,2 (p=0,013). Após 1 mês da ICP, 51,8%+10,5 vs. 46,1%+11,4 (p=0,017) e, após 6 meses, 52,8%+10,3 vs. 46,6%+12,5 (p=0,013). A comparação do SLG entre os grupos Terapia e Controle foi: após a ICP, 14,1%+4,1 vs. 12,0%+3,3 (p=0,012). Após 72h da ICP, 14,5%+3,8 vs. 11,7%+3,2 (p<0,001). Após 1 mês da ICP, 15,9%+3,4 vs. 13,6%+3,5 (p=0,005) e, após 6 meses, 17,1%+3,5 vs. 13,6%+3,6 (p<0,001). No grupo Terapia 30% (13/44) dos pacientes remodelaram o VE versus 55% (24/44) do grupo Controle. O tamanho do infarto foi menor no grupo Terapia (p=0,026). Em análise multivariada, a randomização para o grupo Controle foi o principal preditor de remodelamento (OR = 2,57, p=0,033). Conclusão. A melhora precoce e persistente da função e mecânica do VE nos pacientes tratados por sonotrombólise, associada às maiores taxas de recanalização e menor tamanho do infarto neste grupo refletiram uma resposta positiva desta terapia no IAMCSST.

Descritores: infarto agudo do miocárdio; ecocardiografia; ecocardiografia contrastada; sonotrombólise; intervenção coronária percutânea; ecocardiografia com speckle tracking

Aguiar MOD. Valor da Sonotrombólise no Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST: Ensaio Clínico Randomizado sobre seu Impacto nos Índices de Mecânica e Função Ventricular Esquerda [tese] ―São Paulo: Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo; 209.

Autor: Miguel Osman Dias
Orientador: Prof. Dr. Wilson Mathias Junior
Programa:
Cardiologia
Data e local: 17 de julho de 2019, às 8h, na Farmacologia (Sala 3104) – Av. Dr. Arnaldo, 455 – 3º andar FMUSP.

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